milícia de fake news recebeu ordens de atacar Amprev e Teles – SelesNafes.com


Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

A Polícia Federal identificou uma estratégia coordenada para atacar a Amprev e desgastar o vice-governador Teles Júnior (PDT), pré-candidato ao Senado, com uma avalanche de fake news. Os diálogos fazem parte do inquérito da Operação Palanque Digital, que apura a atuação de uma milícia digital financiada por R$ 25 milhões da prefeitura de Macapá para produzir e disseminar conteúdos contra adversários políticos do prefeito afastado Antônio Furlan (PSD), que também foi alvo de mandados na semana passada.

Entre as provas reunidas pela PF estão conversas extraídas de grupos de WhatsApp utilizados para definir pautas, aprovar publicações e coordenar a distribuição de conteúdos em páginas e redes sociais. Em um dos diálogos, integrantes discutem como abordar informações relacionadas à Amprev. Um dos participantes adverte que a “Amprev não tem rombo”. Em função disso, a pauta deveria destacar investimentos realizados pela instituição em um banco envolvido em escândalos. A reação de outro integrante chamou a atenção dos investigadores: “Mas aí que está a dúvida. A gente cria narrativa ou vai falar a verdade?”.

A resposta recebida, segundo o relatório, evidencia a linha editorial que vinha sendo adotada pelo grupo: “Tem que falar a verdade. E omitir o que é positivo”, responde. Pouco depois, surge uma sugestão igualmente falsa e ainda mais agressiva: “Dá pra falar que o Amapá tá devendo um bilhão pra Amprev”. Para a Polícia Federal, as mensagens demonstram uma tentativa deliberada de construir uma narrativa difamatória envolvendo a previdência estadual e o governador Clécio.

Juarez Menescal ordena que conteúdos sejam espalhados

PF aponta Juarez como o líder da milícia e dono da página 1Norte

Vice 

Outro trecho da investigação mostra que o vice era tratado como um dos alvo prioritários da quadrilha digital. Em conversa reproduzida pela PF nos pedidos de buscas da operação, um integrante informa aos demais:

“Toda semana ele entra na pauta a partir de hoje”, avisa Juarez Menescal, o ex-secretário de Comunicação e que foi preso na operação. Em seguida, Felipe Paixão reforça a orientação editorial ao grupo. 

Para a Polícia Federal, as mensagens indicam que os ataques não eram esporádicos, mas resultado de um planejamento contínuo para manter determinados personagens políticos sob pressão permanente nas redes sociais. O relatório destaca que a inclusão de Teles Júnior em pautas semanais demonstra a existência de uma estratégia de desgaste sistemático contra o pedetista.

Felipe reproduz ordens para transformar Teles Jr em alvo permanente

As conversas analisadas foram encontradas no grupo denominado “Redes — Portal 1Norte”, apontado pela PF como um dos núcleos de produção de conteúdo da organização investigada. O material analisado soma mais de 4,4 mil mensagens trocadas em apenas algumas semanas de funcionamento.

A investigação também identificou que integrantes da estrutura orientavam a disseminação coordenada de conteúdos em grupos de WhatsApp e páginas não oficiais, ampliando o alcance das publicações. Em uma das conversas, após receber um texto, Juarez Menescal determina: “Espalhem”. Questionado sobre onde deveria ocorrer a divulgação, responde: “Sim. Grupos e páginas não oficiais”.





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