A ideia surgiu após o falecimento do pai. Ao presenciar o velório tradicional, Tiago observou que os presentes relembravam momentos felizes, conquistas e episódios marcantes da vida do falecido. Naquele instante, achou profundamente triste o fato de que a pessoa mais importante e homenageada da noite não pudesse estar ali para ouvir aquelas declarações de carinho. Desde aquele dia, o advogado tomou uma decisão firme de que não faltaria ao próprio velório.
Ele esclareceu que apesar de estar com câncer terminal, ele não está morrendo, está vivendo.
“Eu tenho câncer terminal, não tem cura, eu faço tratamento paliativo, mas eu não sei o que é estar morrendo, porque eu estou vivendo. Só se morre uma vez. Quando eu tive o diagnóstico, decidi que não ia morrer todos os dias. Eu ia morrer uma vez só.” disse Tiago.
O encontro promovido por Tiago reuniu dezenas de amigos e familiares em um ambiente acolhedor que ganhou contornos de festa, contando com música, comida, bebida e uma vasta troca de memórias entre os convidados.
Para o advogado, a iniciativa passa longe de ser um evento fúnebre ou melancólico. Trata-se, fundamentalmente, de um manifesto sobre a importância do tempo presente.
“A iniciativa não é sobre a morte, mas sobre a vida”, ressaltou Tiago, ao justificar a oportunidade de se despedir daqueles que ama com sorrisos, abraços e a certeza de ouvir, em vida, o impacto que deixou no mundo.