Inelegível, Josimar de Maranhãozinho vira peça-chave para 2026


Mesmo inelegível após condenação unânime na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado federal Josimar de Maranhãozinho continua sendo uma das peças centrais do xadrez político maranhense para as eleições de 2026. Com o controle político de cerca de 40 prefeituras, influência consolidada no interior do estado e um capital eleitoral que ultrapassa os 320 mil votos somados com a deputada federal Detinha em 2022, o líder do PL desponta como possível fiel da balança na disputa pelo Senado e também na sucessão ao Palácio dos Leões, mesmo impedido de disputar cargos públicos pela Lei da Ficha Limpa.

Musculatura eleitotal

A influência de Josimar se sustenta principalmente na estrutura municipalista construída nos últimos anos. Sob seu comando, o PL consolidou presença em cerca de 40 prefeituras maranhenses nas eleições municipais de 2024, desempenho que transformou a legenda na segunda maior força política municipal do estado. 

O resultado consolidou um cinturão de influência espalhado em regiões estratégicas do Maranhão, principalmente no interior, onde prefeitos, vereadores e lideranças locais orbitam em torno do chamado “grupo do Moral”, bloco político liderado pelo deputado.

Essa musculatura eleitoral faz com que, mesmo fora das urnas, Josimar continue sendo tratado como um potencial fiel da balança na disputa de 2026. Em um cenário onde a eleição para o Senado contará com duas vagas em disputa e o Governo do Estado deverá ser decidido em uma eleição altamente fragmentada, o controle de dezenas de municípios e a capacidade de transferir votos tornam o apoio do PL um ativo valioso para qualquer candidatura majoritária.

O peso político das urnas

A própria trajetória eleitoral do grupo ajuda a explicar esse peso político. Nas eleições de 2022, Josimar foi o terceiro deputado federal mais votado do Maranhão, somando 158.360 votos. Sua esposa, a deputada federal Detinha, terminou o pleito como a parlamentar mais votada do estado, alcançando 161.206 votos. Juntos, os dois ultrapassaram a marca de 320 mil votos, desempenho que consolidou o casal como uma das principais forças eleitorais do Maranhão contemporâneo.

Além da votação expressiva, aliados avaliam que o grupo saiu politicamente fortalecido das eleições municipais de 2024, ampliando o número de prefeitos, vereadores e bases eleitorais. O crescimento fortaleceu ainda mais a capacidade de barganha do PL diante dos principais grupos políticos maranhenses, sobretudo porque Josimar mantém controle direto sobre as articulações partidárias no interior.

Capital eleitoral X poder de influência indireta

Mesmo condenado, o parlamentar ainda preserva formalmente o mandato de deputado federal. Embora a decisão do STF produza efeitos imediatos sobre a elegibilidade, a perda definitiva da cadeira na Câmara dos Deputados depende de deliberação da Mesa Diretora da Casa. Enquanto isso, a defesa do deputado trabalha para tentar reduzir os efeitos políticos da condenação por meio de recursos judiciais, incluindo embargos de declaração que questionam a legalidade das provas utilizadas no processo e a classificação das verbas investigadas.

Paralelamente à batalha judicial, Josimar reorganizou completamente o planejamento eleitoral do grupo para 2026. Sem possibilidade concreta de disputar a reeleição para a Câmara Federal, ele passou a estruturar um processo de sucessão familiar e política para preservar o espaço conquistado em Brasília.

A principal aposta é a deputada estadual Fabiana Vilar, sobrinha do parlamentar e integrante do núcleo político mais próximo da família. Ela foi lançada como pré-candidata a deputada federal e deverá herdar parte significativa da estrutura política, financeira e eleitoral do grupo. A movimentação é interpretada nos bastidores como uma tentativa de manter o controle da cadeira atualmente ocupada por Josimar e garantir a continuidade da influência do PL no Congresso Nacional. Nos bastidores da política maranhense, também houve especulações sobre uma eventual candidatura de Josimar à Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema). A hipótese permitiria ao deputado manter foro privilegiado em âmbito estadual e preservar protagonismo institucional. Contudo, o avanço das restrições judiciais e o desgaste provocado pela condenação fizeram crescer dentro do próprio grupo a avaliação de que o melhor caminho político seria atuar exclusivamente como articulador de bastidores.

Mesmo fora da corrida eleitoral, Josimar continua exercendo papel decisivo nas composições para o Senado Federal. Recentemente, o PL oficializou apoio à pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) à reeleição. O anúncio ocorreu em evento político realizado no início desta semana em São Luís e reuniu lideranças ligadas ao grupo de Josimar, incluindo Detinha e Fabiana Vilar, além do pré-candidato ao governo do estado, Orleans Brandão (MDB), que confirmou a primeira vaga ao Senado na chapa majoritária da base governista.

O acordo representa a retomada da parceria firmada em 2022, quando o PL integrou a chapa majoritária de Weverton Rocha ao Governo do Maranhão, indicando o ex-deputado Hélio Soares para a vaga de vice-governador. Agora, a estratégia é utilizar a estrutura municipalista do PL para fortalecer o projeto de reeleição do pedetista ao Senado.

Ao mesmo tempo, Josimar também articula apoio à pré-candidatura do ex-prefeito Dr. Hilton Gonçalo (Mobiliza) para a segunda vaga ao Senado Federal. Como o eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado em 2026, o líder liberal passou a defender uma composição que contemple dois projetos distintos, ampliando o espaço de influência do grupo no cenário majoritário.

A estratégia demonstra a capacidade de sobrevivência política construída por Josimar ao longo dos anos. Mesmo atingido pela condenação do STF, ele tenta transformar o capital eleitoral acumulado em poder de influência indireta, distribuindo apoios e ampliando o peso do PL nas negociações estaduais.

Enquanto fecha alianças para o Senado, o deputado mantém indefinição sobre qual candidatura apoiará para o Governo do Maranhão. O PL permanece oficialmente fora da base do governador Carlos Brandão (MDB), mas interlocutores do partido admitem conversas abertas com diferentes grupos políticos. A manutenção desse “mistério” é vista como uma estratégia para ampliar o poder de barganha da legenda e evitar desgaste prematuro junto aos prefeitos aliados espalhados pelo interior.

Além da disputa federal, o grupo também mira o fortalecimento institucional na Assembleia Legislativa. Detinha, caso seja eleita para o legislativo estadual já confirmou interesse em disputar a presidência da Alema para o biênio 2027/2028. Segundo ela, o objetivo do PL é ampliar a bancada estadual e eleger até sete deputados estaduais em 2026, consolidando a legenda como uma das maiores forças parlamentares do Maranhão.

Embora juridicamente afastado da possibilidade de disputar eleições, o deputado continua no centro das articulações eleitorais do Maranhão. O controle de dezenas de prefeituras, a votação expressiva construída ao longo dos anos e a capacidade de interferir diretamente na formação das chapas majoritárias mantêm o líder do PL como um dos personagens mais decisivos da sucessão estadual de 2026.



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