Quênia autoriza instalação para monitoramento de ebola


O governo do Quênia aprovou um pedido dos Estados Unidos para a abertura de uma instalação de quarentena destinada a cidadãos norte-americanos expostos ao surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). A estrutura, localizada em uma base da Força Aérea na região central de Laikipia, contará com 50 leitos e deve entrar em operação nesta sexta-feira (30), sob supervisão do Serviço de Saúde Pública dos EUA.

Impasse na resposta global

O surto, causado pela rara cepa Bundibugyo, avança rapidamente e já é considerado o terceiro maior registrado na história. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional, enquanto o diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, mobiliza esforços diretos na província de Ituri, epicentro da doença. Até o momento, a OMS contabiliza mais de mil casos suspeitos e centenas de óbitos, embora especialistas alertem que os números reais podem ser significativamente maiores.

A eficácia da resposta enfrenta obstáculos severos, incluindo a redução do financiamento global, que caiu de uma promessa inicial de 500 milhões para cerca de 290 milhões de dólares. Além disso, restrições de voos e ataques a instalações de saúde motivados pela negação da existência da doença por parte de alguns grupos locais dificultam a logística de suprimentos e o trabalho das equipes médicas.

Críticas e controvérsias

A decisão do Quênia de abrigar a instalação norte-americana gerou reações adversas. Grupos de defesa legal e sindicatos médicos quenianos questionam a soberania do país diante da iniciativa, classificando-a como uma “ala de isolamento geopolítico”. Adicionalmente, especialistas internacionais alertam que políticas de isolamento rigorosas e restrições de viagem impostas por nações ocidentais podem desencorajar profissionais de saúde a atuarem diretamente no campo.

A situação no leste do Congo é agravada pela presença de grupos armados, como os rebeldes M23, que complicam a segurança nas operações humanitárias. Enquanto isso, o governo congolês enfrenta críticas sobre a burocracia na concessão de isenções para voos de ajuda humanitária, essenciais para o transporte de medicamentos para as áreas afetadas.



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