O Ipatinga Futebol Clube inicia neste domingo (31), às 10 horas, um dos capítulos mais dramáticos de sua história. A equipe faz sua estreia no Campeonato Mineiro Módulo II contra o Coimbra, no Estádio Flávio Pentagna Guimarães, em Contagem, sob o reflexo de uma severa crise administrativa e financeira. O clube entrará em campo com um desfalque numérico crítico: apenas oito jogadores estão aptos para a partida, e o time já começa o torneio com seis pontos negativos.
A penalidade foi imposta pela FIFA devido a uma dívida histórica decorrente da transferência do lateral-direito Luizinho para o Nacional, de Portugal, realizada em 2006.
De acordo com a entidade máxima do futebol mundial, o clube mineiro descumpriu o repasse de uma taxa prevista no acordo da época, o que resultou em uma sanção de transfer ban (proibição de registrar novos atletas) e na perda de pontos na tabela do torneio estadual.
Entrave de duas décadas limita elenco
A pendência financeira contrasta com o período de maior sucesso do clube. Em 2006, o Ipatinga vivia seu auge esportivo, tendo alcançado a semifinal da Copa do Brasil. Duas décadas depois, o passivo daquela negociação inviabilizou a montagem do elenco atual.
Impedida de registrar novos contratos, a diretoria recorreu às categorias de base, mas esbarrou em restrições burocráticas. O Regulamento Geral de Competições da CBF estipula que apenas cinco jogadores sem contrato profissional podem atuar simultaneamente por uma equipe em partidas oficiais.
Como o Ipatinga dispõe de apenas três atletas profissionalizados em condições de jogo, o limite máximo permitido para a estreia é de oito jogadores em campo.
Riscos em campo e batalha jurídica
A inferioridade numérica traz riscos imediatos para o confronto. Caso o Ipatinga sofra com lesões ou expulsões e fique com menos de sete atletas no gramado, a partida será encerrada por insuficiência de contingente, o que pode acarretar sanções desportivas ainda mais graves.
O CEO do clube, Roger Galvão, manifestou preocupação com o cenário, mas reiterou o compromisso de defender a instituição na competição.
Paralelamente, o departamento jurídico tenta incluir o débito internacional no processo de recuperação judicial do clube, buscando uma liminar para liberar o registro de novos atletas para as rodadas seguintes.
Troca de comando técnico
A instabilidade administrativa também afetou o planejamento do futebol. Em abril, o clube havia anunciado o técnico português Rui Sacramento. Contudo, diante das incertezas operacionais e das barreiras financeiras, o treinador optou por retornar a Portugal dez dias após sua apresentação oficial.
Para assumir o cargo nesta semana, o Ipatinga oficializou a contratação de Donizete Amorim, ex-jogador e campeão da Copa Libertadores pelo Cruzeiro.
Da elite à luta pela sobrevivência
O atual cenário difere drasticamente do período entre 2005 e 2007, quando o Ipatinga conquistou o Campeonato Mineiro, chegou à final da Copa do Brasil e disputou a Série A do Campeonato Brasileiro, sendo considerado a terceira força do futebol de Minas Gerais.
Quase vinte anos depois de figurar na elite nacional, a chamada “Águia” inicia o Módulo II sob o signo da reconstrução, enfrentando o Coimbra em um duelo que sintetiza o esforço do clube para manter suas atividades profissionais.