Governo envia ajuda humanitária a Normandia enquanto enchente isola comunidades e mobiliza apoio federal


Com estradas rompidas, pontes danificadas e famílias isoladas, o Governo de Roraima iniciou neste sábado (30) o envio de ajuda humanitária para Normandia, um dos municípios mais afetados pelas fortes chuvas que atingem o Estado. A ação ocorre um dia após a Prefeitura decretar situação de emergência por 180 dias.

A operação é coordenada pela Defesa Civil Estadual e pelo Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR) e contempla, inicialmente, a entrega de 58 kits com cestas básicas e filtros ecológicos para famílias das comunidades indígenas Lameiro e Reforma.

Segundo o comandante-geral do CBMRR, coronel Anderson Carvalho de Matos, as equipes identificaram necessidades urgentes durante vistoria realizada na sexta-feira (29), com a presença do governador Soldado Sampaio (Republicanos).

“Essas comunidades estão totalmente isoladas. Os poços utilizados para abastecimento foram cobertos pela água, então há necessidade imediata de filtros e, posteriormente, de água potável”, explicou.

De acordo com o comandante, cerca de 58 famílias serão atendidas nesta primeira etapa. Além disso, dez viaturas – cinco do Corpo de Bombeiros e cinco da Polícia Militar – foram mobilizadas para a operação. O Estado também mantém duas embarcações e equipes atuando na região desde os primeiros registros da inundação.

Enquanto isso, o governo monitora a situação de outros municípios atingidos pelas chuvas, como Uiramutã e Bonfim. No caso de Uiramutã, uma ponte de acesso ao município foi levada pela força da água durante a madrugada.

Decreto de emergência

A Prefeitura de Normandia decretou situação de emergência na sexta-feira (29), após constatar danos causados pela elevação dos rios Maú e Cotingo e dos igarapés Inamará e Juruaquim. O decreto cita o rompimento de estradas e vicinais, dificuldades de acesso a comunidades indígenas e o deslocamento de famílias para áreas seguras.  

O documento também destaca que as chuvas se intensificaram desde o fim de abril, com volumes acima da média e precipitações concentradas em curto período, cenário que agravou os impactos sobre a infraestrutura do município.  

Com a medida, a administração municipal fica autorizada a mobilizar todos os órgãos públicos para ações de resposta ao desastre e poderá realizar contratações emergenciais para atender a população afetada. O decreto terá validade de 180 dias.  

Governo federal acompanha situação

Paralelamente às ações estaduais, uma equipe da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil chegou a Roraima para avaliar os danos e auxiliar no reconhecimento federal da situação de emergência.

O coordenador-geral de Reconhecimento Federal e Internacional da Defesa Civil Nacional, Frederico de Santana, afirmou que o governo federal já monitora os impactos das chuvas e trabalha no levantamento de informações sobre pessoas isoladas, desalojadas, desabrigadas e prejuízos causados à produção rural e à infraestrutura.

Segundo ele, a principal necessidade identificada até o momento é o envio de suprimentos básicos, como água e alimentos. No entanto, o acesso às áreas atingidas se tornou um dos maiores desafios.

“Estradas e pontes estão danificadas. Em muitos locais, o transporte terrestre já não é possível, então a alternativa passa a ser o uso de aeronaves”, explicou.

Diante desse cenário, a Defesa Civil Nacional já articula apoio junto ao Ministério da Defesa para viabilizar aeronaves que possam reforçar a logística de atendimento às comunidades isoladas.

Frederico destacou ainda que a atuação federal ocorre de forma complementar às medidas adotadas pelo Governo de Roraima. Com o reconhecimento federal da emergência, o Estado e os municípios atingidos poderão solicitar apoio de diferentes ministérios e ampliar a assistência às populações afetadas.



VER NA FONTE