Pesquisa alerta para contaminação de caranguejos no Paraná


Um monitoramento ambiental realizado no litoral do Paraná revelou a presença de contaminantes como mercúrio e chumbo em amostras de caranguejo-uçá capturadas na Baía de Paranaguá. A descoberta, parte das ações do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), acende um alerta para a saúde pública na região. Embora os metais tenham sido detectados em concentrações variáveis conforme o local e a época, a professora Cassiana Baptista Metri, pesquisadora da Unespar e integrante do projeto, ressalta a necessidade de novos estudos para quantificar os danos que o consumo do crustáceo, tradicional na culinária local durante o verão, pode causar ao organismo humano a longo prazo.

Apesar da presença desses elementos químicos, os caranguejos monitorados apresentaram bom estado de saúde. Pesquisadores trabalham com a hipótese de que a espécie possui mecanismos naturais de defesa, como a eliminação de toxinas durante a troca de carapaça ou a proteção antioxidante conferida pela dieta rica em tanino das folhas do mangue. O Rebimar, que conta com apoio do Programa Socioambiental da Petrobras, atua na conservação da Grande Reserva Mata Atlântica, área que abriga 49 mil hectares de manguezais, equivalentes à extensão territorial da cidade de Porto Alegre.

Manguezais como aliados contra mudanças climáticas

Além da biodiversidade marinha, o projeto destaca o papel estratégico dos manguezais na mitigação do aquecimento global. Segundo a oceanógrafa Sarah Charlier Sarubo, o ecossistema é um reservatório eficiente de “carbono azul”, apresentando capacidade superior de captura e armazenamento de CO2 em comparação a outros biomas, como a Floresta Amazônica. A estrutura peculiar do solo e a dinâmica das marés permitem que o carbono seja retido com maior eficácia, evitando sua liberação para a atmosfera.

A preservação dessas áreas atua ainda como uma “solução baseada na natureza” para o controle de eventos extremos. Dados do monitoramento indicam que uma faixa de apenas 100 metros de manguezal pode reduzir a energia das ondas em até 60%, funcionando como uma barreira natural contra inundações e erosão costeira. Além disso, a capacidade dos manguezais de atuar como filtros naturais, depurando contaminantes urbanos antes que cheguem aos estuários, torna sua proteção um pilar indispensável para o equilíbrio ambiental e a segurança das comunidades pesqueiras locais que dependem da fauna marinha para sua subsistência.



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