
Todos os anos, uma boa parte da safra de grãos colhida nos interiores do Brasil se perde nas rodovias. Essa perda, de acordo com algumas análises, pode chegar a até 5%, o que acende um importante alerta em uma safra total de mais de 350 milhões de toneladas.
Essa perda nas estradas se deve à uma série de fatores, envolvendo caminhões com problemas nas carrocerias, vibrações excessivas provocadas pelo asfalto ruim e até excesso de carga.
Nas redes sociais, o Vice-Presidente do Banco Safra, Pedro Coutinho, destacou a cena de um caminhão derramando carga sem parar em um trecho da Rodovia Bandeirantes, em São Paulo.
“Hoje, domingo, viajando pela Rodovia dos Bandeirantes em direção a São Paulo, uma cena me chamou atenção: dezenas de caminhões carregados de soja rumo ao Porto de Santos. O agro brasileiro, mais uma vez, mostrando sua força, sua escala e sua importância para a economia do País”, destacou o executivo, na publicação, que completa: “Mas junto com a admiração, veio também uma reflexão importante sobre o chamado “Custo Brasil”. Gravei um caminhão transportando soja e era impressionante a quantidade de grãos caindo pela estrada. Fiquei pensando: quanto o Brasil perde, silenciosamente, todos os dias, do Mato Grosso até Santos?”
Essa enorme perda logística, que, se chegar aos 5% pode totalizar mais de 15 milhões de toneladas, faz parte de um enorme custo para o setor produtivo no Brasil.
A grande dependência do modal rodoviário, responsável por quase 70% do transporte de grãos, amplifica o problema, ao contrário de países como os EUA, com maior uso de ferrovias.
As rodovias brasileiras, muitas não pavimentadas ou mal-conservadas, combinadas com caminhões antigos, desgastados ou mesmo inadequados, aumentam esse constante derrame de cargas nas rodovias.
“O agronegócio brasileiro é extremamente competitivo “da porteira para dentro”. Temos produtividade, tecnologia, genética, gestão e muita capacidade empreendedora. Mas “da porteira para fora”, ainda enfrentamos velhos desafios de infraestrutura e logística. Cada grão perdido na estrada significa menos eficiência, menos competitividade e menos riqueza para o País”, completa Coutinho.