
Familiares de Francisco Cleomir, 49 anos, realizaram uma manifestação pacífica em frente ao Fórum da Comarca de Mucajaí, nesta semana, cobrando justiça e a prisão preventiva dos acusados pelo homicídio que vitimou o morador da comunidade Vila da Penha, ocorrido em dezembro de 2024.
Com cartazes contendo frases como “Nossa dor tem voz”, “Uma família destruída”, “Justiça por Francisco Cleomir” e “Que respondam por essa vida”, parentes, amigos e moradores da comunidade denunciaram o sentimento de impunidade e o medo vivido pela família desde que os acusados passaram a responder ao processo em liberdade.
Segundo as advogadas assistentes de acusação Brenda Caldas e Clara Magalhães, os dois réus chegaram a ser presos em flagrante logo após o crime. Contudo, posteriormente foram colocados em liberdade por decisão de Habeas Corpus, em razão da demora excessiva na conclusão do inquérito policial pela Delegacia de Polícia de Mucajaí.
Desde então, conforme narrado pela assistência de acusação, os acusados vêm descumprindo medidas cautelares impostas pela Justiça e causando sucessivas frustrações no andamento do processo criminal.
A situação ganhou novos contornos após a segunda audiência de instrução terminar sem avanço processual. Um dos réus, Manoel da Vera Cruz de Barros Ribeiro, deixou de comparecer à audiência mais recente, mesmo regularmente intimado. Já na audiência anterior, a defesa apresentou justificativa médica considerada inconsistente pela assistência de acusação, uma vez que o atestado juntado seria referente a período muito anterior ao ato judicial.
Ainda segundo Brenda Caldas e Clara Magalhães, os acusados praticamente não vinham cumprindo as medidas cautelares impostas pelo Judiciário. O último comparecimento para assinatura teria ocorrido apenas em 11 de março deste ano, justamente no dia de uma audiência de instrução, e somente após questionamento do oficial de gabinete da magistrada.
Além das reclamações quanto ao descumprimento das cautelares, a família relata viver sob constante medo após registros de boletins de ocorrência apontando supostas ameaças contra testemunhas e familiares da vítima.
Em um dos registros policiais, moradores da comunidade relataram que um dos acusados teria afirmado que “iria acertar contas” quando estivesse solto. Em outro boletim, uma testemunha afirmou ter sido intimidada para não comparecer à audiência do caso.
Diante da gravidade da situação, as assistentes de acusação Brenda Caldas e Clara Magalhães protocolaram pedido de prisão preventiva dos dois réus, sustentando que a liberdade dos acusados coloca em risco a instrução criminal, a segurança das testemunhas e a própria aplicação da lei penal.
Abalada emocionalmente, a família afirma que decidiu tornar pública a situação após meses de sofrimento e sentimento de abandono.
“Não é só pela morte do Francisco. Agora a família vive com medo, sem paz e vendo o processo ser constantemente atrasado. Nossa dor tem voz”, declarou um familiar durante a manifestação.
O caso segue em tramitação na Vara Criminal da Comarca de Mucajaí.
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