Para o Acre, os dados do Relatório Anual de Desmatamento do MapBiomas desconstruíram a retórica dos defensores do aumento do desmate como forma de estimular a produção pecuária. A informação de que o Acre reduziu em 43,6% a área desmatada é um dado importante. Mas, apresentado de forma isolada, não faz a relação necessária.
O desmatamento caiu de 2025, comparado a 2024, com o aumento da importância da produção de carne na balança comercial do Acre. O último dado apresentado pela Secretaria de Estado de Planejamento mostra que a exportação de carne bovina conquistou 34% de participação na balança comercial do Acre, em março.
Fatores próprios do ciclo pecuário como o aumento do abate de fêmeas (que eleva preço da arroba); eventos comemorativos pontuais (ano de copa do mundo de futebol) apresentam ao produtor de carne em um cenário favorável.
Os dois fatos inegáveis e que precisam ser relacionados estão escancarados: o relatório do MapBiomas com dados de 2025 mostra um cenário que, há até pouco tempo, não seria possível de ser justificado pelas tabelas da Seplan. Para quem defende a ideia de que para fortalecer a pecuária é obrigatório ter que desmatar mais ficou um pouco mais difícil de defender o argumento.
“Isso mostra que o Acre está no caminho certo de combater o desmatamento ilegal e, ao mesmo tempo, ter um ambiente favorável à produção e ao crescimento econômico, com conservação das nosas florestas e em conformidade com as legislações ambientais”, avalia o secretário de Estado de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho.
O secretário sabe que há regiões que precisam ter um tratamento prioritário. O vale dos rios Tarauacá e Envira e também a região do Rio Purus, abrangendo os municípios de Feijó, Tarauacá e Sena Madureira deixam a Secretaria de Estado de Meio Ambiente em estado de alerta. “São municípios que ainda apresentam taxas consideradas altas. Serão prioridade para nós”, assegurou.
| Posição | Município | Taxa |
|---|---|---|
| 1 | Altamira | 295.541,53 |
| 2 | São Félix do Xingu | 223.031,80 |
| 3 | Porto Velho | 215.768,84 |
| 4 | Itaituba | 129.249,78 |
| 5 | Pacajá | 103.925,90 |
| 6 | Boca do Acre | 83.405,47 |
| 7 | Feijó | 69.193,81 |
| 8 | Senador José Porfírio | 61.685,73 |
| 9 | Sena Madureira | 46.644,38 |