O Conselho Indígena de Roraima (CIR) sedia a oficina de formação do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC), realizada no Centro Regional Lago Caracaranã, na região Raposa, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. O encontro reúne representantes indígenas dos biomas Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia.
A formação é organizada pelo Departamento de Gestão Territorial Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), coordenado por Sineia do Vale, e tem como objetivo debater, alinhar e fortalecer os planos de enfrentamento às mudanças climáticas nos diferentes territórios indígenas do país.
Durante a oficina, os participantes compartilham experiências sobre os impactos das mudanças climáticas em seus territórios, por meio de dinâmicas em grupo e debates coletivos. A proposta é aproximar realidades distintas e construir estratégias conjuntas de enfrentamento, considerando os conhecimentos tradicionais e as especificidades de cada bioma.
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Segundo Sineia do Vale, a presença de representantes de diferentes regiões do Brasil fortalece o debate e amplia a construção de soluções coletivas.
“Esse momento é muito importante. Durante dois dias vamos debater de forma estratégica os planos de enfrentamento, ouvindo e compartilhando experiências e conhecimentos tradicionais. Aqui temos a participação de pessoas de vários biomas do Brasil, e cada um vive realidades diferentes”, destacou Sineia, cientista indígena e co-presidente do Caucus Indígena.




Além da agenda climática, a formação também inclui debates sobre direitos indígenas, autonomia e demarcação territorial. Para os participantes, a proteção dos territórios é parte central das estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas.
A advogada do CIR, Fernanda Felix, destacou que a Constituição Federal garante os direitos dos povos indígenas, mas alertou para retrocessos que impactam diretamente os territórios.
“Quero reforçar que a Constituição Federal declara e garante os direitos indígenas, mas atualmente nossos direitos têm sofrido grandes retrocessos e isso tem impactado os nossos territórios. Então, para falar de autonomia, é preciso falar da demarcação das terras indígenas”, afirmou.
Representante do Povo Terena, Maioque Rodrigues veio do Mato Grosso do Sul, região marcadas pelos biomas Pantanal e Cerrado. Segundo ele, seu território enfrenta desafios como avanço do agronegócios sobre terras indígenas, poluição de rios e fontes de água pelo uso de agrotóxicos, além do desmatamento.
A liderança afirmou que pretende levar seu povo experiêncuas desenvolvidas em Roraima pelo CIR, como a gestão territorial, a sala de situação e os planos de enfrentamento às mudanças climáticas.
“São frentes de lutas diferentes, mas que têm o mesmo objetivo: a defesa dos territórios, dos direitos e por políticas públicas. Toda a experiência compartilhada aqui eu levarei para começar o trabalho lá”, disse Maioque.