Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O relatório da Polícia Federal que embasou a operação Palanque Digital, deflagrada ontem (26), revela detalhes de como funcionava a estrutura de produção e disseminação de notícias falsas e conteúdos difamatórios contra adversários políticos do prefeito afastado Antônio Furlan (PSD), com uso exclusivo de R$ 25 milhões da prefeitura de Macapá. A investigação levou a PF e o Ministério Público Federal a pedirem a prisão temporária, por cinco dias, dos principais envolvidos, entre eles Juarez Pantoja Menescal de Sousa, apontado como líder do grupo. A Justiça Eleitoral, no entanto, negou os pedidos de prisão, mas autorizou mandados de busca e apreensão cumpridos contra 35 alvos.
A operação apura a atuação de uma rede digital acusada de produzir ataques sistemáticos que tinham como principal alvo o governador Clécio Luís (União) e aliados políticos. Entre os alvos das buscas esteve a residência do prefeito afastado. Segundo a PF, os investigados atuavam de forma coordenada em grupos de WhatsApp apelidados de “base de produção” de conteúdos políticos. As conversas anexadas ao processo mostram divisão de tarefas, definição de pautas diárias, produção de cards, roteiros, memes, vídeos e distribuição do material com informações falas para páginas e perfis em redes sociais.

Ex-secretário de comunicação Juarez Menescal era o líder da “Base de Produção”

Produção de notícias falsas com dinheiro da prefeitura tinha o alvo principal
Desgastar
Em um dos trechos destacados pela investigação, Juarez Menescal aparece orientando integrantes sobre conteúdos voltados a “desgastar” o governador. O relatório também descreve o funcionamento do grupo “Redes – Portal 1Norte”, que, segundo a PF, era usado para coordenar pautas e validar publicações antes de serem divulgadas. Os prints revelam que Juarez Menescal exercia a coordenação estratégica do grupo, enquanto Felipe Paixão seria responsável pela produção diária dos conteúdos.

Objetivo era gerar desgaste

Prisões solicitadas pela PF
As mensagens mostram ainda orientações para transformar determinadas figuras públicas em “pauta obrigatória” de ataques. Em um diálogo sobre o vice-governador Teles Júnior, um integrante afirma: “Toda semana ele entra na pauta a partir de hoje”. Outro trecho aponta a criação de campanhas associando Clécio Luís ao apelido pejorativo “Calotécio”, acompanhado de cards e montagens compartilhadas nas redes.
A PF também identificou o uso de inteligência artificial para criação de vídeos e animações com caricaturas de autoridades públicas. Entre os materiais analisados aparecem personagens como “Chuclécio”, em referência ao governador Clécio Luís, “Abacavi”, associado ao senador Davi Alcolumbre (União), e “Dacuaçu”, ligado ao prefeito interino Pedro Dalua (União). Segundo os investigadores, os conteúdos eram disseminados por perfis como 1Norte (de Juarez Menescal), “Programa Potoca”, “Ispia Amapá (propriedade de Jonatas O Fabuloso)”, “Me Solta Amapá”, “SoedTV” (Edi Santos) e “Weltão News” (Fuleirão).

De acordo com a investigação, enquanto os conteúdos contra adversários tinham tom agressivo e difamatório, a rede também atuava para promover a imagem do ex-prefeito Antônio Furlan e da esposa dele, Rayssa Furlan, com publicações consideradas elogiosas e favoráveis politicamente.
Menescal chegou a ser preso por porte ilegal de armas de fogo e munição. Soedi e outros alvos de buscas foram conduzidos para prestarem depoimentos e responderão ao processo em liberdade, pelo menos por enquanto.