Produzir no Acre nunca foi uma tarefa simples. Quem decide investir na indústria acreana assume, todos os dias, um compromisso que vai além do próprio negócio. Assume a responsabilidade de gerar empregos, movimentar a economia, criar oportunidades, estimular a inovação e acreditar no desenvolvimento de um estado que ainda enfrenta desafios históricos para ampliar sua base produtiva.
O empresário industrial acreano convive com obstáculos que exigem coragem, planejamento e persistência. Muitos desses desafios começam antes mesmo da produção. Em diversos segmentos, a matéria-prima e os insumos necessários à atividade industrial vêm de outras regiões do país, especialmente do Sul e do Sudeste. Essa distância encarece o frete, aumenta os custos logísticos, pressiona o capital de giro e exige maior capacidade de gestão financeira.
Produzir no Acre também significa lidar com burocracia, licenciamento, exigências regulatórias, necessidade de mão de obra especializada e um mercado consumidor local ainda limitado. Diferentemente de outras atividades econômicas, a indústria precisa organizar, ao mesmo tempo, o fornecimento de matéria-prima, o processamento, o controle de qualidade, a tecnologia, a tributação, o cumprimento de normas e a comercialização dos produtos.
Mesmo diante desse cenário, o empresário industrial acreano segue investindo, produzindo e mantendo viva uma atividade essencial para o desenvolvimento do estado.
A indústria tem papel estratégico na economia porque amplia os efeitos positivos sobre outros setores. Cada unidade produtiva instalada movimenta fornecedores, transporte, comércio, serviços, tecnologia, qualificação profissional e arrecadação pública. Estudos apontam que, para cada R$ 1 produzido pela indústria, são gerados aproximadamente R$ 2,43 adicionais na economia. É um efeito multiplicador que se traduz em empregos, renda, circulação de recursos e fortalecimento da atividade econômica.
Mas a importância da indústria não pode ser medida apenas pelos números. Ela também impulsiona inovação, modernização produtiva e formação profissional. Cada novo investimento, cada processo industrial aprimorado e cada empreendimento que se consolida ajudam a preparar o Acre para uma economia mais diversificada, menos dependente e mais conectada às oportunidades do futuro.
O Acre, apesar das dificuldades estruturais, começa a ocupar uma posição cada vez mais relevante no debate sobre desenvolvimento regional. Sua localização geográfica abre possibilidades de integração econômica com o Peru, a Bolívia, os países andinos e outras regiões do Brasil. Aos poucos, o estado deixa de ser visto apenas pela distância em relação aos grandes centros nacionais e passa a ser compreendido como um território estratégico de conexão entre mercados.
Somam-se a isso incentivos fiscais, áreas disponíveis para instalação de empreendimentos, políticas públicas de estímulo, estruturas voltadas à atividade industrial e um ambiente institucional que precisa estar cada vez mais articulado para apoiar quem produz.
No entanto, nenhuma política pública, nenhum incentivo e nenhuma estratégia de desenvolvimento se sustentam sem quem esteja disposto a investir, assumir riscos e transformar planejamento em produção real.
Esse protagonista é o empresário industrial.
É ele quem coloca capital próprio em uma atividade de longo prazo. É ele quem contrata trabalhadores, compra equipamentos, busca fornecedores, enfrenta custos elevados e mantém a produção funcionando mesmo em cenários de instabilidade. É ele quem acredita que o Acre pode produzir mais, agregar valor à sua economia e ampliar sua presença nos mercados regional, nacional e internacional.
Produzir na Amazônia exige coragem. Produzir indústria no Acre exige ainda mais. Exige visão estratégica, capacidade de resistência e compromisso com o futuro.
Por isso, valorizar o empresário industrial acreano é também valorizar o desenvolvimento econômico, a geração de empregos, a inovação, a qualificação profissional e a construção de novas oportunidades para o estado.
O Acre tem indústria. O Acre produz. E, por trás de cada empreendimento industrial, existe alguém que decidiu enfrentar desafios, investir e acreditar no potencial produtivo da nossa terra.
Esse é o verdadeiro impulsionador do desenvolvimento: o empresário industrial acreano.
Assurbanipal Barbary de Mesquita
Ex-secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia
Membro da Câmara Técnica de Comércio Exterior