Após um período de retração, o consumo de café no Brasil voltou a subir nos primeiros quatro meses de 2026. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o volume consumido cresceu 2,44% na comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo 4,9 milhões de sacas de 60 quilos. A recuperação, que se tornou mais expressiva a partir de março, reflete diretamente a redução dos preços nas prateleiras dos supermercados após o pico inflacionário registrado entre o final de 2024 e o início de 2025.
O alívio para o bolso do consumidor é perceptível especialmente no café tradicional, que registrou uma queda de 15,51% no preço por quilo em abril deste ano, cotado em torno de 55,34 reais. Enquanto a categoria tradicional apresenta recuo nos valores, segmentos como cafés especiais, descafeinados e solúveis ainda registraram leve alta nos preços ao consumidor, mantendo-se como exceções em um cenário de maior oferta da matéria-prima.
Safra recorde no horizonte
As projeções para o restante do ano são otimistas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra de café crescerá 18% em relação à temporada passada, totalizando 66,7 milhões de sacas. Caso o volume se confirme, o país alcançará a maior produção de sua série histórica, superando o recorde de 2020. A expectativa é que essa oferta robusta contribua para a redução da volatilidade nos preços e sustente a recuperação do consumo ao longo dos próximos meses.
Otimismo do setor
Para o presidente da Abic, Pavel Cardoso, a estabilidade na oferta permite que a indústria transfira a redução de custos para o varejo, o que deve estimular ainda mais a demanda. “Sendo regular esse comportamento e reduzindo-se a volatilidade, o entendimento é que a gente terá um comportamento de maior recuperação desse consumo ao longo do ano”, explica. A resiliência demonstrada pelo mercado brasileiro em 2025, apesar das dificuldades, prepara o terreno para que 2026 seja marcado por uma retomada consolidada, reforçando o Brasil como um dos principais mercados consumidores e produtores mundiais da bebida.




