A Prefeitura de Boa Vista inicia neste sábado (23) um mutirão de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A ação ocorre no bairro 13 de Setembro, das 8h às 14h, e faz parte de uma estratégia emergencial diante do alto índice de infestação registrado no primeiro Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) do ano.
Segundo o levantamento, o município apresentou índice de 6,9%, considerado de alto risco para a transmissão das doenças. A mobilização contará com equipes de Agentes de Combate às Endemias (ACE) e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que também atuarão em outros bairros nas próximas semanas.






Situação preocupa autoridades
De acordo com o major bombeiro Rodrigo Maciel, gerente da Defesa Civil estadual, o cenário atual é resultado de fatores climáticos típicos da região. “Nosso período chuvoso vem acompanhado de altas temperaturas, o que cria condições ideais para a proliferação do mosquito. A água acumulada forma o ambiente perfeito para os criadouros”, explicou.
Maciel destacou que o aumento dos casos já acendeu um alerta em diversos municípios de Roraima. “Identificamos cidades em estado mais grave, que já solicitaram apoio, especialmente no sul do estado, como Mucajaí, São Luiz e Baliza. Em Mucajaí, inclusive, nossas equipes já estão em campo atuando junto à Secretaria Municipal de Saúde”, afirmou.
Trabalho integrado entre orgãos
A atuação da Defesa Civil ocorre em parceria com órgãos de saúde, sob coordenação técnica da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) e do Vigidesastre, setor responsável pelo monitoramento de eventos relacionados à saúde pública.
“Nós atuamos conforme o planejamento da saúde, que é o órgão com maior expertise na área. A Defesa Civil entra como apoio operacional, acompanhando agentes nas visitas domiciliares, ajudando na eliminação de criadouros e também em ações de pesquisa”, explicou o gerente.
Além das ações em campo, equipes participam de seminários e reuniões estratégicas para alinhar medidas de combate às arboviroses. “Estamos trabalhando em um plano conjunto com a Sesau e Prefeitura de Boa Vista, sempre adaptando as ações conforme o cenário atual”, acrescentou.
Focos dentro das residências
O diretor da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ), Samuel Garça, reforça que a maior parte dos focos do mosquito ainda está dentro das casas. Entre os principais criadouros estão recipientes como pingadeiras de ar-condicionado, vasos de plantas e vasilhas de água para animais.
“O mosquito deposita os ovos nas bordas dos recipientes. Por isso, não basta trocar a água. É fundamental lavar bem com escova ou bucha para eliminar os ovos”, orientou.
Participação da população é essencial
Apesar do reforço das equipes nas ruas, as autoridades enfatizam que o combate ao mosquito depende diretamente da colaboração da população.
“A Defesa Civil não trabalha sozinha. Nosso lema é ‘a Defesa Civil somos todos nós’. Precisamos da união entre governo e comunidade para reduzir os índices e proteger a população”, concluiu Maciel.
O monitoramento realizado pelo Vigidesastre aponta que praticamente todos os municípios de Roraima apresentam índices elevados de dengue e chikungunya, com exceção de Normandia e Uiramutã, que ainda não registraram níveis preocupantes.
A expectativa é que, com o mutirão e o engajamento da população, seja possível reduzir rapidamente os focos do mosquito e conter o avanço das doenças na capital.