O vereador André Kamai defendeu na Câmara Municipal, nesta quinta-feira, 21, a ampliação do debate sobre educação sexual e proteção da infância durante pronunciamento em apoio a organizações sociais que atuam no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.
Segundo o parlamentar, o tema ainda enfrenta resistência e distorções por parte de setores conservadores, enquanto milhares de crianças continuam expostas a situações de vulnerabilidade e abuso. “Muita gente tenta criminalizar a ideia de educação sexual, transformar a educação sexual numa ideia de levar informações indevidas às crianças, quando, na verdade, nós precisamos preparar as crianças para não serem vítimas de abuso”, afirmou.
Durante a fala, Kamai ressaltou que a maior parte dos casos de violência ocorre dentro do ambiente familiar ou em círculos próximos às vítimas, o que, segundo ele, exige coragem política e ações efetivas do poder público. “Crianças têm a infância absolutamente perdida por conta dessa vulnerabilidade e desse tipo de violência que sofrem cotidianamente. E pior: na absoluta maioria das vezes, dentro de casa”, declarou.
O vereador também criticou discursos que relativizam casos de exploração infantil e uniões envolvendo menores de idade. Sem citar nomes, o parlamentar afirmou que não há justificativa cultural para relacionamentos entre adultos e adolescentes. “Não existe cultura na nossa sociedade que justifique um casamento entre uma menina de 12 anos e uma pessoa de 50 anos. Nós já vimos políticos defendendo isso. Não pode mais acontecer”, disse.
Kamai destacou ainda que campanhas de conscientização e o trabalho desenvolvido por organizações sociais são importantes, mas insuficientes sem políticas públicas permanentes e investimento estatal voltado à proteção da infância. “A luta ajuda, coloca isso no centro da pauta, mas, se quem tem poder, se o poder público não assumir isso efetivamente, nós não vamos conseguir superar esse problema”, afirmou.
Ao final, o parlamentar defendeu que o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes deixe de ser tratado como um debate secundário e passe a ocupar espaço central nas prioridades do município, do estado e do governo federal. Segundo ele, enfrentar o problema exige responsabilidade institucional, compromisso permanente e ações concretas de proteção às crianças e adolescentes.