Dólar sobe a R$ 5,04 em meio a tensão externa e incertezas políticas no Brasil



O dólar voltou a fechar acima de R$ 5 nesta terça-feira (19), pressionado pelo fortalecimento da moeda norte-americana no exterior e pelo aumento das incertezas políticas no Brasil. O avanço das taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, somado às tensões no Oriente Médio e aos ruídos no cenário eleitoral brasileiro, elevou a cautela entre investidores e atingiu moedas de países emergentes, como o real.

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 0,84%, cotada a R$ 5,0405. Durante a sessão, chegou à mínima de R$ 5,0094 e atingiu máxima de R$ 5,0580.

No mercado internacional, investidores reagiram à manutenção do petróleo acima de US$ 100 por barril, cenário alimentado pelo impasse nas negociações de paz no Oriente Médio. A percepção predominante é de que a inflação nos Estados Unidos pode permanecer elevada, reduzindo as chances de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, ainda neste ano.

As taxas dos Treasuries subiram ao longo do dia, com o rendimento do título de 10 anos chegando a 4,68%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, voltou a operar acima dos 99 pontos.

Fatores Internacionais Pressionam o Dólar

Além do cenário externo, o mercado acompanhou o aumento das incertezas políticas no Brasil. Investidores repercutiram a divulgação de uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que mostrou o senador Flávio Bolsonaro atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial.

O levantamento apontou Lula com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% de Flávio Bolsonaro.

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O mercado também repercutiu informações sobre a relação do senador com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco Master. Segundo relatos divulgados nesta terça, Flávio visitou Vorcaro no fim de 2025, após o empresário deixar um período de detenção.

Cenário Político Brasileiro e o Impacto no Câmbio

Apesar da alta recente, o real ainda acumula valorização frente ao dólar em 2026. As perdas da moeda americana no ano estão em 8,17%, embora o dólar tenha avançado 1,77% apenas neste mês, após recuo de 4,36% em abril.

Em relatório, o BTG Pactual avaliou que o real segue como destaque entre moedas emergentes no acumulado do ano, mas alertou para um cenário de curto prazo mais pressionado diante do aumento das incertezas internas e externas.



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