Defesa Civil prevê seca severa no Acre

O Acre pode viver uma seca severa em 2026 com o avanço do fenômeno El Niño, que tem causado alerta nos órgãos municipais, estaduais e federais para uma possível seca no Estado.

Ao ContilNet, o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, coronel Cláudio Falcão, explicou que nos últimos 20 dias, o Rio Acre apresentou um decréscimo de 7,22 metros, reduzindo o nível do manancial para a marca atual de 4,92 metros.

A velocidade da vazante colocou a Defesa Civil Municipal em estado de alerta. Segundo projeções do órgão, o rio pode chegar na casa dos 2 metros nos próximos vinte dias, um cenário crítico previsto para acontecer antes mesmo do início do mês de julho.

A previsão foi detalhada pelo coronel Cláudio Falcão, que aponta o fenômeno meteorológico El Niño como o grande motor da seca no Acre.

“Isso é um prenúncio muito forte do que já está acontecendo e do que pode vir pela frente. Nós também estamos em uma diminuição de chuvas, então isso vai gerar o baixo nível do Rio Acre, dos mananciais, influenciando o lençol freático, secando poços e represas”, disse.

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O coronel explicou, ainda, que após o período de onda polar no Acre, conhecida como friagem, os acreanos devem passar por altas ondas de calor. “Vai ter muita evaporação e um momento propício para as queimadas. É um cenário de seca não muito animador. Para isso, a gente precisa estar já tudo planejado para ver o que nós, que somos equipe de socorro, vamos oferecer à população para minimizar esses impactos”, afirmou.

A Defesa Civil de Rio Branco tem três planos de contingência para o período de estiagem, envolvendo diversas secretárias e órgãos da Prefeitura.

Coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão/Foto: Gustavo Monteiro

Segundo o coordenador da Defesa Civil, o cenário para os próximos meses é de seca. “Possivelmente uma bem severa, que vai gerar uma série de consequências, como já foi no passado. O nível do rio fica abaixo de 2 metros nos próximos 20 dias é totalmente possível, uma vez que as chuvas estão ficando escassas. O nível que nós temos em Rio Branco é graças às chuvas que tem acontecido nas cabeceiras [do Rio Acre], que a água vem descendo e mantém um nível mais elevado, mas se não fosse por isso, nós estaríamos em um nível mais crítico agora”, destacou.

Nível histórico

Em 21 de setembro de 2024, quando o nível do Rio Acre marcou 1,23 metros, o manancial ultrapassou a menor marca já registrada até então, de 1,25 metros em outubro de 2022.

Com a previsão de seca severa para 2025, a Defesa Civil não descarta ultrapassar a menor marca, registrada em 2024.

“É uma coisa que a gente não pode descartar. Não podemos afirmar, porém a gente não pode descartar. O nosso recorde é de 1,23 metros, e ano passado havia uma indicação de que a gente poderia chegar nesse nível, e nós chegamos em torno de 1,37 metros. Ficou próximo, mas não tão perto. Esse ano a gente pode ficar próximo, ficar no mesmo nível do ano passado, mas o fato é que tudo isso é grave”, disse.

A previsão é de seca severa em Rio Branco neste ano/ Foto: Juan Diaz/ContilNet

“Tudo isso é muito complicado, porque a gente fala de nível do rio, mas nós temos que observar tudo o que acontece fora dele. Quando o nível do rio chega a esse nível de 1,30 metros, 1,40 metros, é porque já está muitos dias sem chuva e isso traz uma série de consequências”, continuou.
Coronel Falcão destacou as principais consequências da possível seca do Rio Acre.

“Uma coisa que nós vamos ter um impacto grande pode ser a questão econômica, tanto para zona rural, que vai perder produção, que perde produtos, que baixa a bacia leiteira, piscicultura, navegação, isso reflete diretamente em nós que moramos na zona urbana, que os produtos vão ficar mais caros e tem uma outra série de situações. Nós consumimos mais energia por conta de horas de calor, a gente consome mais água, então esses consumos vão aumentando e a cada dia isso gera um prejuízo econômico bem grande”, explicou.

Ondas de calor

O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco destacou, ainda, que novas ondas de calor poderão ser sentidas nas próximas semanas, com sensação térmica acima de 40ºC graus.

“Elas devem se iniciar agora após esse frio que nós estamos passando, essa temperatura mais amena e deve se prolongar até lá pelos meados de dezembro. Isso vai ser o restante do ano. Em termos de temperatura, no termômetro facilmente a gente vai alcançar 37ºC graus, até 38ºC graus. Agora com sensação térmica acima de 40ºC graus. A gente tem uma série de consequências em um cenário bem complicado para a gente passar nos próximo semestre em relação a parte do clima”, explicou.

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