O cantor de funk MC Ryan SP negou qualquer envolvimento com o suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro que é alvo de investigação da Polícia Federal na Operação Narco Fluxo. Em depoimento transmitido neste domingo (17) pelo programa “Domingo Espetacular”, da Record TV, o artista rechaçou a acusação de ter movimentado a quantia de R$ 1,6 bilhão e declarou que não participa de atividades ilícitas.
O músico, que obteve a liberdade nesta semana após passar 28 dias sob custódia do sistema prisional por determinação judicial, afirmou que sua inclusão no inquérito decorre da projeção de seu nome nos meios de comunicação. “Eu não liderei nada disso”, defendeu-se o cantor durante a entrevista.
De acordo com o relatório produzido pelos investigadores da Polícia Federal, o funkeiro é apontado como um dos líderes e principais beneficiários de uma estrutura montada para a ocultação de ativos oriundos de plataformas de apostas não autorizadas, rifas clandestinas e do tráfico internacional de entorpecentes.
A tese policial sustenta que o artista utilizava firmas ativas no setor de entretenimento e produção fonográfica para mesclar as receitas lícitas de shows com as verbas de origem criminosa. Os investigadores apontam ainda que Ryan realizou a transferência de cotas societárias para parentes e operadores de câmbio para mascarar a real propriedade dos bens.
O cantor contestou os apontamentos de vínculos com facções criminosas que atuam no território nacional. “Não lavo dinheiro para o PCC. Não lavo dinheiro para o Comando Vermelho, não lavo dinheiro para nada. Eu apenas faço as minhas publicidades”, asseverou. Ele disse não ter o cálculo exato de sua fortuna atual, mas garantiu que seus advogados apresentarão notas fiscais e contratos para comprovar a procedência de seus bens. “Talvez por ostentar muito, querer mostrar muito o que eu tenho [virei alvo]”, ponderou.
Balanço da Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo mobilizou equipes de agentes federais para o cumprimento de 90 mandados judiciais, expedidos para endereços distribuídos por oito estados da federação e pelo Distrito Federal. Durante as diligências, a corporação efetuou a apreensão de uma frota de automóveis avaliada em R$ 20 milhões, além de obter ordens de bloqueio de contas bancárias e bens que alcançam o teto de R$ 1,6 bilhão.
A apuração também inseriu como investigados outros nomes do segmento musical e das plataformas de internet, como o cantor MC Poze do Rodo e o influenciador Raphael Sousa de Oliveira. A tese da PF aponta que os valores sob suspeição eram convertidos na aquisição de imóveis residenciais, peças de joalheria e veículos importados de alto padrão.
O caso segue sob análise do Poder Judiciário, enquanto os advogados de defesa aguardam a conclusão do relatório final do inquérito policial. “Eu estou convicto que vou sair dessa. Quero ouvir que fui absolvido desse inquérito policial. Quero viver em paz”, concluiu Ryan.
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