Mãe de aluna com paralisia cerebral denuncia agressão física e bullying em escola


Uma mãe procurou a redação do ac24horas para denunciar que sua filha, uma menina de 11 anos com paralisia cerebral, vem sofrendo bullying e também agressão física por uma colega na escola estadual Edilson Façanha, localizada no bairro Laélia Alcântara, na região do Calafate, em Rio Branco. Eliana Costa relatou que a filha, Ana Beatriz, estuda o sétimo ano na unidade e que a situação se arrasta desde o ano passado, sem solução definitiva por parte da escola.

Segundo Eliana, nenhum grupo de alunos aceitava Ana Beatriz por causa da deficiência. A menina tem paralisia cerebral com falta de oxigênio e dois cistos no cérebro, condições que comprometem seu acompanhamento das aulas no mesmo ritmo das demais crianças. “Desde o início do ano, a minha filha vem sofrendo bullying no colégio e até então eu não sabia. Eu descobri através de um grupo que eles colocaram ela, porque nenhum grupo estava aceitando a Ana Beatriz por ela ser portadora de deficiência”, relatou a mãe.

A situação escalou quando Ana Beatriz chegou em casa e contou à mãe que havia sido agredida fisicamente no corredor da escola no dia 12 de maio. “Ela disse ‘uma aluna, eu ia passando no corredor do colégio, terminou as provas e ia falar com um colega de aula’. Quando ela foi falar com esse colega de aula, chegou uma aluna e começou a enforcar”, disse a menina, reproduzindo o relato à mãe. A menina pediu socorro à coordenação da escola durante a agressão.

Antes do episódio mais recente, já havia ocorrido uma reunião na escola envolvendo as mães das alunas. Na ocasião, Eliana optou por perdoar as responsáveis pelas outras crianças e a escola assumiu o compromisso de evitar novos incidentes. Com a agressão física, a mãe voltou a cobrar providências. “Eu espero que eles tomem uma decisão a respeito disso, porque isso não pode estar acontecendo, até porque já faz muito tempo que a minha filha vem passando por isso”, afirmou Eliana Costa.

A diretora da escola, Simone Barbosa, foi ouvida pelo ac24horas e afirmou que a instituição trabalha a temática do bullying com professores e alunos de forma contínua. “A gente tem aqui uma situação do ano passado que nós temos o programa de aceleração e aí os professores dessas turmas trabalharam o ano todo a questão desse tema. E aí nessa turma a gente não tinha nenhum caso de bullying”, disse. Sobre o protocolo adotado nos casos de agressão física, Simone Barbosa explicou que a escola aciona o policiamento escolar. “Caso de agressão física, a gente sempre tem chamado o policiamento escolar e eles têm sempre estado aqui nos ajudando”, afirmou.

A aluna apontada como autora da agressão tem 11 anos e está sendo investigada para verificar se tem autismo ou outro problema de saúde, já que não é a primeira vez que pratica atos agressivos. O coordenador de ensino Francisco Lima destacou a sobrecarga enfrentada pela escola. “Nós não fomos treinados na academia para apartar brigas, nós não fomos treinados para dirimir situações que cabem à justiça”, disse, apontando que a vulnerabilidade social das famílias agrava o cenário e que a escola tem trabalhado de forma cada vez mais isolada, sem o suporte da comunidade.​​​​​​​​​​​​​​​​

O videomaker do ac24horas, Kennedy Santos apurou que a unidade de ensino, que atende mais de 800 alunos nos turnos manhã e tarde, conta com apenas sete profissionais de apoio, em sua maioria, idosos.



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