“Eu queria ser mãe, mas eles precisavam muito mais de uma”: acreana relata desafios e amor na adoção de dois irmãos


O desejo de viver a maternidade acompanhou Nívea Melo por muitos anos. Aos 39 anos, ela encontrou na adoção a possibilidade de formar uma família e construir vínculos com Theo, de 5 anos, e Esther, 6 anos, irmãos que hoje chama de filhos.

A história começou a ganhar forma em 2018, quando Nívea atuava no acolhimento familiar de crianças. O contato com essa realidade despertou nela o desejo de adotar.

“Conversando com uma amiga e colega de trabalho, que também estava na fila de adoção. Ela já tinha uma filha mais velha e, junto com sua parceira, desejava adotar”, relembra Nívea sobre o momento em que começou a considerar a adoção de forma mais concreta.

Nívea entrou oficialmente no cadastro de adoção em janeiro de 2023. Apesar de saber que o processo costuma ser demorado, foi surpreendida pela rapidez. Em novembro do mesmo ano, recebeu a notícia sobre a possibilidade de adotar dois irmãos.

“Embora soubesse que a adoção costuma ser um processo longo, como no exemplo da minha amiga, que demorou cerca de três anos para adotar, fui surpreendida. Em novembro de 2023, fui informada sobre a possibilidade de adotar dois irmãos”, conta.

Ela afirma que passou por acompanhamento psicológico durante toda a espera e que a terapia ajudou na preparação emocional para a chegada dos filhos.

“Durante esse período, fazia terapia, e minha psicóloga me preparava para essa ‘gestação’, enfatizando a semelhança entre a espera pela chegada de um filho biológico e a adoção”, complementa.

Rapidez na adoção pode ser explicada

Segundo Nívea, a rapidez no processo ocorreu principalmente pelo perfil de adoção escolhido por ela, sem muitas restrições relacionadas às características das crianças.

“A rapidez do processo se deveu ao meu perfil, que era abrangente. Muitas vezes, a demora na adoção ocorre porque as pessoas preferem bebês, especialmente meninas brancas. Por isso, defendo a conscientização sobre a adoção tardia”, explica.

Ela conta que, após receber a notícia, conversou com a mãe, principal rede de apoio da família, antes de seguir com o processo.

“Fomos buscar as crianças e o encontro foi emocionante”, relembra.

“Eu queria ser mãe, mas eles precisavam muito mais de uma”: acreana relata desafios e amor na adoção de dois irmãos
Nívea conta como foi o processo de adoção, a adaptação das crianças e a construção dos vínculos familiares – Foto: cedida.

“A adoção é muito mais do que a realização do nosso sonho”

Nívea destaca que a maternidade adotiva exigiu compreensão sobre a história de vida das crianças e os impactos emocionais carregados por elas.

Durante o período de adaptação, ela precisou lidar com situações relacionadas ao abandono e à negligência vividos anteriormente pelos filhos.

“A adoção é muito mais do que a realização do nosso sonho de maternar e ter uma família. É ser colo, ser casa e saber que vamos encontrar neles uma casa também”, afirma.

Ela reconhece que, muitas vezes, futuros pais podem criar expectativas idealizadas sobre os filhos e esquecer que cada criança possui sua própria individualidade e vivências.

“Que, ao desejarmos ser pais, podemos idealizar a criança e, inconscientemente, desrespeitar sua individualidade”, afirma.

Durante as consultas com a psicóloga e a preparação para esse momento, ela relata que também enfrentou dificuldades emocionais no processo de adaptação familiar.

“Mas percebi a necessidade de abrir o coração, superar minhas expectativas e aceitar a criança como ela é, aprendendo em terapia que a relação com um filho, seja biológico ou adotivo, é construída gradualmente”, diz.

Atualmente com 42 anos, Nívea afirma que a família está próxima de completar três anos juntos. Theo e Esther estão na primeira série, e o processo de adoção já foi concluído oficialmente. “Desde o ano passado, elas estão registradas em meu nome como meus filhos”, conclui.



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