O domingo de 17 de maio de 1992 parecia ser apenas mais um dia comum para milhões de brasileiros. Enquanto famílias acompanhavam pela televisão a corrida de Fórmula 1 em Mônaco e torciam por Ayrton Senna, uma notícia inesperada interrompeu o clima de animação: o então governador do Acre naquela época, Edmundo Pinto, havia sido morto em São Paulo.
O governador tinha 38 anos e estava hospedado no apartamento 704, do hotel Della Volpe Garden, na capital paulista desde o dia 14 de maio. Na madrugada do acontecido, homens armados invadiram o quarto onde ele estava e efetuaram disparos. Além do crime, cerca de 500 cruzeiros também teriam sido levados do local. Ele estava acompanhado de assessores, que dormiam em outros quartos.
A informação foi anunciada em rede nacional durante a transmissão da corrida, pelo locutor Galvão Bueno, e causou grande comoção no Acre e em todo o país. Naquele momento, Edmundo Pinto era considerado um dos políticos mais populares do estado.

Edmundo Pinto morreu aos 39 anos | Foto: Reprodução
As investigações da Polícia Civil de São Paulo concluíram que o caso teria sido um assalto. Porém, familiares e pessoas próximas ao governador nunca aceitaram totalmente essa versão. Ao longo dos anos, surgiram suspeitas de que a morte poderia ter ligação política, mas nenhuma nova investigação mudou oficialmente a conclusão do caso.
Edmundo Pinto nasceu em Rio Branco, em 1953, e era filho de um comerciante e de uma professora. Foi Casado com Fátima Barbosa de Almeida, com quem teve três filhos. Formado em Direito pela Universidade Federal do Acre, ele também trabalhou na instituição antes de se destacar na política acreana.

Edmundo Pinto teve três filhos | Foto: Reprodução
A trajetória política de Edmundo Pinto foi rápida e marcada por persistência. Antes de chegar ao governo do Acre, ele perdeu pelo menos sete eleições. Tentou cargos como vereador e deputado estadual até conseguir a primeira vitória em 1982, quando foi eleito vereador de Rio Branco. Em 1986, foi eleito deputado estadual, quando ganhou notoriedade por fazer oposição aos governos de Flaviano Melo e Edson Cadaxo, ambos do PMDB.

Edmundo Pinto/Foto: reprodução
Quatro anos depois, em 1990, venceu a eleição para governador em uma disputa bastante acirrada contra Jorge Viana. Naquele período, a vitória foi considerada histórica porque marcou a chegada ao governo estadual de um grupo político ligado ao antigo Partido Democrático Social (PDS), partido que sucedeu a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido político que dava sustentação ao regime militar que governava o país.
Mais de três décadas após o crime, a morte do governador ainda é lembrada como um dos episódios mais marcantes e misteriosos da política acreana. O corpo dele foi sepultado no Cemitério São João Batista, em Rio Branco.
A morte de Edmundo Pinto é tema do Arquivo 068 desta semana. Confira o vídeo completo no Youtube do ContilNet.