
Abrir um aplicativo de delivery e receber a refeição pronta em poucos minutos se tornou parte da rotina de muitos jovens adultos. Entre trabalho, estudos, redes sociais e uma rotina cada vez mais acelerada, cozinhar deixou de ocupar espaço frequente no dia a dia de parte da nova geração. Especialistas apontam que mudanças culturais, praticidade e a popularização dos aplicativos de entrega vêm transformando os hábitos alimentares e a relação dos jovens com a cozinha.
Pesquisas recentes mostram que muitos adultos jovens cozinham pouco ou quase nunca. Um estudo divulgado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos revelou que cerca de um quarto dos jovens adultos dedica pouco tempo ou nenhum ao preparo de refeições em casa. A pesquisa também apontou que a praticidade, o entretenimento e a convivência social passaram a ter forte influência nas escolhas alimentares dessa geração.
Além da praticidade, os aplicativos de delivery mudaram a forma como a alimentação é consumida. Uma revisão acadêmica da Universidade Federal de Lavras destacou que jovens universitários estão entre os principais usuários de aplicativos de entrega, principalmente pela conveniência e pela falta de tempo para cozinhar. O estudo aponta ainda que o consumo frequente de delivery está associado a maior ingestão de fast-food e alimentos com menor valor nutricional.
Especialistas em alimentação observam que cozinhar deixou de ser apenas uma necessidade doméstica e passou a competir com uma rotina marcada por velocidade e excesso de estímulos. Refeições rápidas, congelados e lanches prontos se tornaram soluções práticas para quem passa grande parte do dia fora de casa ou conectado ao trabalho e aos estudos.
Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que muitos jovens reconhecem a importância de cozinhar, mas enfrentam barreiras como falta de tempo, insegurança na cozinha e ausência de hábito familiar. Um estudo publicado na revista científica Demetra, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mostrou que jovens adultos associam o ato de cozinhar ao autocuidado e à alimentação saudável, mas relatam dificuldades relacionadas ao planejamento e à confiança para preparar refeições.
Os pesquisadores também apontam que houve uma redução na transmissão de habilidades culinárias entre gerações. Em muitas famílias, receitas e hábitos de preparo deixaram de ser passados adiante com a mesma frequência, enquanto os alimentos industrializados e prontos ganharam espaço na rotina doméstica.
Apesar disso, o cenário não é totalmente de afastamento da cozinha. Nutricionistas observam que cresce entre jovens adultos o interesse por marmitas saudáveis, planejamento alimentar e conteúdos de culinária nas redes sociais. Especialistas ressaltam que cozinhar mais não significa preparar refeições elaboradas todos os dias. Pequenas mudanças, como aprender receitas simples, organizar refeições da semana e reduzir o consumo de ultraprocessados, já podem contribuir para uma alimentação mais equilibrada.