Unidade industrial emprega diretamente 450 funcionários e, desde dezembro, procura 50 profissionais para ampliar a produção. O cenário mudou após a atuação de Jorge Viana à frente da Apex e da diplomacia presidencial executada pelo presidente Lula. Há cinco anos, a empresa exportava para apenas cinco países. Atualmente, exporta para 17 e a meta é alcançar 25 até o fim do ano.
“A primeira carreta já foi despachada para Hong Kong e essa aqui está saindo para Singapura”. O ritmo orquestrado pelo empresário Murilo Leite no Nosso Frigorífico é este, enquanto confere as 27 toneladas embarcadas na carreta rondotrem de nove eixos que encara cinco dias de viagem até o Porto de Itajaí, em Santa Catarina. O ritmo tem sido esse nos últimos dois anos.
Na manhã deste sábado, o esforço de parte dos 450 funcionários da empresa embarcou pela primeira vez para Singapura, um dos mais exigentes mercados de proteína animal do sudeste asiático. Conseguir abertura deste mercado é um selo de qualidade para a carne produzida e industrializada no Acre. Isso faz parte de um processo de construção política reconhecido pelo empresário.
“O Jorge Viana, quando assumiu a Apex [Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos], fez um chamamento para que os empresários acreditassem. Ele enxergou o potencial que o estado tinha, principalmente no setor de proteína. Nos últimos três anos, nós saímos de um conjunto de cinco países para os quais nós podíamos exportar e passamos a exportar para dezessete países”, conta o empresário Murilo Leite. “Isso é muito importante para o crescimento econômico, para a geração de emprego e renda no Estado do Acre. Se não fosse o apoio do Jorge, que teve um olhar focado também para o estado do Acre, um estado pequeno, se não fosse o trabalho de diplomacia estabelecido pelo presidente Lula, que aproximou os empresários desses mercados, se não fosse também pelo trabalho do ministro Carlos Fávaro, com as missões comerciais realizadas pela diplomacia que foi restabelecida, nós não estaríamos neste moment aqui”.
O ex-presidente da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, foi até a sede do Nosso Frigorífico para participar do fechamento do container que leva carne acreana para o sudeste da Ásia.
“Isso não acontecia no Acre e está acontecendo agora. E é só o começo”, antecipou Viana. “É preciso parabenizar a empresa, os funcionários, os pecuaristas e os produtores de bezerros, os pequenos produtores. Nós organizamos, quando estávamos na Apex, vinte e dois encontros empresariais pelo mundo com o presidente Lula. Só para abrir mercados. Só para vender os produtos do Brasil e eu, como presidente da Apex era quem organizava esses encontros e aqui nós vemos o resultado disso tudo”, entusiasmou-se em frente ao container completamente lotado de carne.
O ex-presidente da Apex calcula que o Acre deve chegar a R$ 1 bilhão de exportações nos próximos anos, caso mantenha a tendência de alta que vem apresentando. É um dos estados que mais tem aumentado as exportações no país nos últimos três anos. Em 2025, aumentou cerca de 13% em relação a 2024. Aproximou-se de R$ 100 milhões.
Unidade concentrou metade dos investimentos do setor nos últimos 3 anos
O Nosso Frigorífico concentrou praticamente metade dos R$ 120 milhões anunciados pelas empresas do setor frigorífico do Acre nos últimos três anos. Esse aporte transformou a indústria. Na prática, a capacidade produtiva dobrou.
A capacidade de abate passou de 400 animais por dia para 800 animais. E o processamento, antes limitado a 100 animais, agora saltou para 500. Para o cenário local, são números superlativos.
O Frigomarcas, indústria frigorífica instalada em Senador Guiomard, também aumentou a capacidade de abate e de processamento. Há dois anos, abatia 500 animais. Hoje tem capacidade para abater 670. Investiu na ampliação. “Essas ampliações são necessárias justamente para atender a esses mercados que são bem mais exigentes”, afirmou Murilo Leite do Nosso Frigorífico.
Abate Halal_ O Nosso Frigorífico está habilitado também para exportar para a Arábia Saudita. O país exige respeito às normas da religião muçulmana de sacrifício. Trata-se do Abate Halal. “É contratada uma consultoria que especifica os métodos de como a indústria deve proceder e tudo é obedecido”, afirma o médico veterinário do Nosso Frigorífico, Cássio Toledo.
“Isso é um diferencial de mercado”, afirma o ex-presidente da Apex, Jorge Viana, apontando para a sala onde é feito esse tipo de abate específico. “A indústria se adapta à demanda do cliente. Nós não tínhamos isso aqui no Acre. Isso é um cenário novo aqui. E é possível fazer mais. Dá pra fazer”.
Saída de gado volta a ser discutida
A saída de gado vivo do Acre voltou a ser debatida durante a visita do ex-presidente da Apex, Jorge Viana ao Nosso Frigorífico. Murilo Leite, que também é presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Estado do Acre, voltou a criticar a saída de animais que, segundo ele, compromete o ciclo industrial aqui no Estado.
“Se continuar a sair gado no volume que estamos vendo, a projeção é de saíam algo em torno de 450 mil cabeças. É um insumo que vai fazer falta às indústrias daqui”, afirma o empresário.
Para o ex-presidente da Apex, Jorge Viana, o Governo do Acre não tem sabido fazer a mediação na relação entre produtores e frigoríficos. “É preciso buscar um ponto de equilíbrio, como eu sempre fazia quando era governador. Sem esse ponto de equilíbrio, tanto os produtores quanto as indústrias saem perdendo. Dá para todos ganharem. Mas é preciso ter um governo forte mediando”, ensinou Viana.