
A inteligência artificial está mudando a forma como usuários encontram filmes, séries e vídeos nas principais plataformas de streaming. Empresas como Netflix, YouTube e TikTok vêm ampliando testes e ferramentas baseadas em IA para tornar recomendações mais personalizadas e manter o público por mais tempo dentro de seus aplicativos.
A Netflix começou a testar um novo sistema de busca e recomendação alimentado por inteligência artificial generativa. A novidade permite que usuários façam pesquisas mais subjetivas e específicas, indo além das categorias tradicionais. Em vez de procurar apenas por gênero ou título, será possível pedir sugestões com comandos como “quero algo para chorar” ou “preciso de uma série leve para assistir antes de dormir”.
O recurso utiliza tecnologia ligada ao OpenAI e ao ChatGPT para interpretar comandos em linguagem natural e oferecer respostas em texto com indicações de conteúdo do catálogo. Os testes estão sendo realizados em fase beta para usuários de iPhone em países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.
Além das buscas por voz e texto, a plataforma também aposta em um modelo inspirado nas redes sociais. A empresa iniciou testes de um feed de vídeos curtos chamado “Clips”, semelhante ao formato popularizado pelo TikTok, com pequenos destaques personalizados para facilitar a descoberta de filmes e séries. A proposta é tornar a navegação mais dinâmica e intuitiva, especialmente no celular.
O movimento acompanha uma tendência crescente no mercado de entretenimento digital. O YouTube já lançou ferramentas conversacionais com inteligência artificial baseada no Gemini, enquanto outras empresas do setor também estudam integrar recursos semelhantes em seus serviços. O objetivo é simplificar a experiência do usuário e oferecer recomendações cada vez mais alinhadas aos hábitos e preferências individuais.
Ao mesmo tempo, as plataformas buscam centralizar a experiência dentro dos próprios aplicativos. Embora smart TVs e dispositivos já tenham assistentes de voz independentes, os streamings querem que a busca por conteúdos aconteça diretamente em seus ambientes digitais, priorizando títulos do próprio catálogo.
Mesmo ainda em desenvolvimento, os testes mostram como a inteligência artificial vem se tornando peça estratégica na disputa entre plataformas de streaming e redes sociais. A tendência é que os sistemas de recomendação deixem de funcionar apenas com base no histórico de consumo e passem a interpretar emoções, interesses momentâneos e comandos cada vez mais personalizados.