Após três trimestres consecutivos de queda, a taxa de desocupação no Maranhão registrou aumento no primeiro trimestre de 2026, atingindo 6,9%. O dado, divulgado recentemente, aponta um acréscimo de 1,3 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2025, quando o índice estava em 5,6%.
Apesar da alta sazonal, comum na passagem do final de um ano para o início do outro, o resultado carrega um aspecto positivo: é a menor taxa de desocupação para um primeiro trimestre no estado desde 2015.
Cenário nacional e regional
O movimento de alta no desemprego no início de 2026 não foi exclusividade do Maranhão. No Brasil, a taxa também subiu, passando de 5,1% no 4º trimestre de 2025 para 6,1% no 1º trimestre de 2026. Assim como no cenário estadual, este índice foi o menor para um primeiro trimestre na série histórica nacional, iniciada em 2012.
Todas as cinco Grandes Regiões Geográficas do país registraram aumento no desemprego. A região Nordeste apresentou a maior taxa (8,4%), enquanto a Sul obteve a menor (3,5%). Nesse contexto, o Maranhão se destacou positivamente, registrando a menor taxa de desocupação entre os nove estados do Nordeste.
Em nível estadual, as maiores taxas de desocupação foram observadas no Amapá (10,0%), seguido por Pernambuco, Alagoas e Bahia, todos com 9,2%. Já a menor taxa foi detectada em Santa Catarina (2,7%).
Desempregados e ocupados
Devido ao aumento da taxa, o número de pessoas desocupadas no Maranhão subiu cerca de 35 mil na comparação trimestral, passando de 163 mil para 198 mil pessoas. No entanto, ao comparar com o primeiro trimestre de 2025 (228 mil desempregados), houve uma redução de 13,0%, representando 29 mil pessoas a menos buscando trabalho.
A população ocupada no estado sofreu uma redução de cerca de 65 mil pessoas em relação ao trimestre anterior, totalizando 2,657 milhões. Por outro lado, na comparação com o primeiro trimestre de 2025 (2,570 milhões), houve um aumento de 87 mil pessoas ocupadas.
No Brasil, o contingente de desocupados aumentou em 1,077 milhão de pessoas entre o final de 2025 e o início de 2026, chegando a 6,574 milhões. A população ocupada caiu 1,0% no trimestre (redução de 1,022 milhão), mas cresceu 1,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Setores em destaque
No Maranhão, os setores que mais perderam postos de trabalho no primeiro trimestre de 2026, em números absolutos, foram:
- Administração Pública, Educação e Saúde: -39 mil pessoas. Queda comum no início do ano devido a ajustes nas administrações municipais.
- Atividades Industriais: -23 mil pessoas.
- Construção Civil: -17 mil pessoas. Setor influenciado sazonalmente pelo período chuvoso.
Na contramão, registraram aumento no número de ocupados os setores de:
- Informação, Comunicação, Finanças e Atividades Administrativas: +15 mil pessoas.
- Setor Primário (Agricultura, Pecuária, etc.): +8 mil pessoas.
Nacionalmente, os setores que mais influenciaram a redução de vagas foram Administração Pública (-439 mil), Comércio (-287 mil), Serviços Domésticos (-148 mil) e Construção (-134 mil). O setor de Informação, Comunicação e Finanças também teve saldo positivo no Brasil (+74 mil).
Subutilização da força de trabalho e desalento
O volume da força de trabalho subutilizada no Maranhão (que inclui desocupados, subocupados e a força de trabalho potencial) aumentou 10,2% (+77 mil pessoas) no trimestre, totalizando 824 mil pessoas. Esse aumento foi impulsionado pelo crescimento no número de desocupados e da força de trabalho potencial (+35 mil pessoas).
O crescimento da força de trabalho potencial deveu-se, principalmente, ao aumento no número de desalentados (pessoas que desistiram de procurar trabalho por desesperança, mas aceitariam uma vaga se surgisse). O contingente de desalentados no Maranhão subiu 13,0% (+38 mil pessoas), atingindo 327 mil, o que representa 75,2% da força de trabalho potencial do estado (contra 50,1% no Brasil).
A taxa composta de subutilização no Maranhão subiu para 25,0% no 1º trimestre de 2026, um aumento de 2,6 p.p. em relação ao trimestre anterior. Apenas Piauí (30,4%), Bahia (26,3%) e Alagoas (26,1%) registraram taxas superiores. No Brasil, essa taxa foi de 14,3%.
O Maranhão mantém a maior taxa de desalento do país desde o final de 2024, atingindo 10,3% no primeiro trimestre de 2026 (contra 9,1% no trimestre anterior). Piauí (7,6%) e Alagoas (9,2%) vêm em seguida. A taxa de desalento no Brasil manteve-se estável em 2,4%.
Informalidade e rendimento
A taxa de informalidade no Maranhão atingiu 57,6% no primeiro trimestre de 2026, superando ligeiramente o trimestre anterior (57,3%) e marcando a terceira alta consecutiva. Apesar disso, o número absoluto de trabalhadores informais caiu de 1,560 milhão para 1,529 milhão, mas a queda no total de ocupados foi mais acentuada (-2,4%).
Em uma perspectiva de longo prazo, a informalidade no estado regrediu significativamente desde 2015, quando a taxa era de 64,9%. No Brasil, a taxa de informalidade vem caindo e situou-se em 37,3% (38,084 milhões de pessoas). O Maranhão segue com a maior taxa de informalidade do país, seguido pelo Pará (56,5%). Santa Catarina (25,4%) e Distrito Federal (28,1%) têm as menores taxas.
Trabalho por conta própria
O trabalho autônomo representa 34,1% (907 mil pessoas) da população ocupada no Maranhão. Em números absolutos, houve recuo de 2,0% (-18 mil pessoas) no trimestre. Deste total, 91,5% (830 mil) atuam na informalidade (sem CNPJ), um patamar que historicamente se mantém acima de 90% no estado. No Brasil, o percentual de conta própria é de 25,5%.
Rendimento
O rendimento médio mensal real (rmmrh) de todos os trabalhos no Maranhão foi de R$ 2.240 no primeiro trimestre de 2026, um aumento real de 3,9% em relação ao trimestre anterior e de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025. Este valor é o mais elevado da série histórica do estado.
No Brasil, o rendimento médio também atingiu recorde histórico, chegando a R$ 3.722, um ganho real de 1,6% no trimestre.
A disparidade de rendimentos entre trabalhadores formais e informais é notável. No Maranhão, o trabalhador por conta própria informal (sem CNPJ) aufere uma renda média mensal (R$ 1.248) 69,6% inferior à do autônomo formal (R$ 4.112). Além disso, a renda do informal é 42,7% menor que a média geral do estado. No cenário nacional, a realidade é semelhante, com o conta própria informal recebendo 56,6% menos que o formal.
Quer receber as da sua cidade, do Maranhão, Brasil e Mundo na palma da sua mão? notícias Clique e fique por dentro de tudo! para acessar o Grupo de Notícias do O Imparcial AQUI
Siga nossas redes, comente e compartilhe nossos conteúdos: