
Um outro grupo de servidores da Escola Estadual Antônio Augusto Martins, localizada na Vila Central, no município do Cantá, contestou as denúncias feitas contra a gestão da unidade. Os relatos foram enviados à FolhaBV nesta quinta-feira (14), após a repercussão de denúncias envolvendo supostos casos de assédio moral, perseguições e práticas pedagógicas consideradas inadequadas dentro da unidade escolar.
Os servidores afirmam que parte das acusações divulgadas recentemente teria sido retirada de contexto e não representaria a realidade vivida dentro da escola. Segundo os relatos, profissionais que apoiam a atual gestão também passaram a ser alvo de críticas e ataques dentro da comunidade escolar.
“Estamos sendo perseguidos desde o ano retrasado por grupos que querem assumir a gestão da escola. Qualquer um que apoie a gestão atual se tornou alvo”, afirmou uma servidora, que não quis se identificar.
Os profissionais também rebateram denúncias envolvendo o afastamento e devolução de servidores à Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed). Conforme os relatos, alguns profissionais teriam sido remanejados por incompatibilidade com as funções exercidas ou por problemas relacionados ao cumprimento das atividades.
Segundo os funcionários, um dos servidores citados nas denúncias “não entrava na secretaria” e permanecia nos corredores e na sala dos professores. Outro caso mencionado envolve um orientador pedagógico que, conforme os relatos, teria deixado de comparecer regularmente à escola.
Os servidores também afirmam que os vídeos citados nas denúncias, envolvendo alunos dançando funk dentro da escola, foram retirados de contexto. Conforme os relatos, as imagens faziam parte de um projeto pedagógico de Carnaval desenvolvido dentro das diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
“O vídeo relatado na denúncia foi do projeto de Carnaval onde os alunos realizaram danças, fizeram paródias e estudaram sobre a temática cultural. Foi um evento lindo, onde a gestora participou das coreografias com os alunos. Isso acontece em todas as escolas, como a escola que se destacou nacionalmente com a [apresentação de um aluno com a] música de Ney Matogrosso“, declarou uma outra professora, que acrescentou ter se afastado por burnout devido a situação com o grupo de servidores.
Segundo os profissionais, as atividades culturais desenvolvidas na escola envolvem diferentes estilos musicais e manifestações artísticas. “Os alunos dançam forró, tango, sertanejo e funk. Mas fazem questão de falar apenas do funk, como se eles estivessem sendo obrigados a fazer o que não querem”, afirmou outra professora.
Os funcionários também negam que exista evasão escolar provocada pela gestão da unidade.
Impacto psicológico
Outro ponto destacado pelos profissionais é o impacto psicológico causado pelos conflitos e pela repercussão das denúncias. Professores afirmam que o ambiente de trabalho se tornou desgastante.
“O ambiente de trabalho está insalubre por conta dessas perseguições. Estou tendo crises de ansiedade e pânico, tenho medo de ir trabalhar e me deparar com situações de extrema violência”, relatou uma servidora.
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Uma professora afirmou que o desgaste emocional já estaria afetando o desenvolvimento de projetos pedagógicos na unidade. Segundo ela, os profissionais não estariam mais motivados a realizar atividades como arraial, festival de dança, feira de empreendedorismo e sarau cultural.
Os profissionais também afirmam que enfrentam dificuldades estruturais e financeiras para manter atividades funcionando na escola. “Às vezes tiramos do próprio bolso para comprar materiais para a escola, educação física e jogos escolares”, disse uma funcionária.
Eles ainda apontam que famílias teriam sido induzidas a assinar abaixo-assinado sem pleno entendimento do conteúdo apresentado. “Famílias da comunidade e sem conhecimento de leitura e escrita foram enganadas e induzidas a assinar documentos com conteúdo contrário ao que foi narrado verbalmente”, declararam.
Seed acompanha denúncias e prevê visita à escola
Ao ser procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação e Desporto (Seed) informou que a situação está sendo acompanhada pelo Departamento de Gestão Escolar (DGE) e que uma equipe da pasta deve visitar a Escola Estadual Antônio Augusto Martins na próxima semana para conversar com a comunidade escolar, pais e professores e avaliar as medidas que poderão ser adotadas.