Defesa Civil alerta para seca severa no Acre após Rio Branco registrar só 34% da chuva prevista em maio


A virada para a segunda quinzena de maio consolida a transição definitiva para o período mais seco do ano na capital do Acre, mas o comportamento do clima nas primeiras semanas acendeu o sinal de alerta das autoridades.

Em entrevista ao portal A GAZETA,  o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Claudio Falcão, informou que dados meteorológicos apontam que, em 14 dias, o acumulado de chuva em Rio Branco foi de apenas 35,2 milímetros, o que representa meros 34% dos 103 milímetros esperados para todo o mês de maio.

A última precipitação expressiva registrada na capital ocorreu no segundo domingo do mês, no Dia das Mães, antes da chegada de uma frente fria que derrubou as temperaturas, mas afastou a umidade. Desde então, o cenário de irregularidade predomina.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil Municipal, Coronel Cláudio Falcão, a tendência para o restante do mês é preocupante. O prognóstico para 2026 sinaliza que o total esperado não deve ser atingido, agravando as projeções para o restante do ano.

“A tendência, se seguir os outros anos — inclusive nós temos essa previsão de uma seca complicada para nós desse ano agora de 2026, é que o mês de maio não alcance o que é esperado”, alertou o Coronel Falcão.

O perigo da chuva irregular

Mais do que o volume total de água que cai dos céus, o principal fator de preocupação é a distribuição dessas chuvas. A falta de regularidade impede que o solo e os mananciais se recuperem de forma sustentável para enfrentar os meses de inverno amazônico (o verão climático regional).

“Nós temos que observar é a forma como essa chuva chega. Digamos que, de repente, no mês de maio, chove 100 milímetros em um único dia: isso não resolveu nada o nosso problema. Ela tem que ser aquela chuva regular, e essas chuvas regulares não estão acontecendo”, explicou o militar.

Com a virada da quinzena, a estimativa é de que a estiagem ganhe força rapidamente, trazendo consigo os impactos crônicos enfrentados pela população urbana e rural da região nesta época do ano.

Queimadas e calor extremo

O início precoce da escassez de chuva abre espaço para uma combinação meteorológica perigosa: redução drástica da umidade relativa do ar, elevação das temperaturas e o aumento iminente de focos de incêndio.

Segundo o Coronel Falcão, o momento agora é de preparação e resposta rápida para mitigar os efeitos do clima severo que se desenha para o segundo semestre.

“O fato real é que, a partir de agora, já virando essa quinzena de maio, a gente tem uma estiagem forte e as suas consequências: seca, ondas de calor e situação totalmente propícia a queimadas. É aquela velha história de todo ano. Por isso, a gente precisa trabalhar muito para poder minimizar esses impactos”, concluiu o coronel.

Sem previsão de novos eventos significativos de chuva para os próximos dias, Rio Branco inicia o período de vazante dos rios sob o fantasma de mais um ano de extremos climáticos.



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