O Acre atingiu o marco de março de 2026 se consolidando como o estado brasileiro que apresentou a menor evolução no índice de inadimplência nos últimos quatro anos. Enquanto o Brasil viu o número de pessoas com contas em atraso saltar para 82,8 milhões, o território acreano registrou uma alta de apenas 7,5% no período pós-pandemia — o índice mais baixo de todas as unidades da federação.
Apesar do crescimento moderado em comparação ao restante do país, a situação ainda exige atenção: atualmente, 47% da população adulta do Acre possui dívidas em atraso. O número coloca o estado em uma posição mais confortável que vizinhos da Região Norte, como o Amazonas, onde o índice chega a 60%, e o Amapá, que lidera o ranking nacional com 65%.
O cenário no Norte e no Brasil
O fenômeno da inadimplência se tornou estrutural no país. Em março de 2026, 1 em cada 2 brasileiros adultos está negativado. No recorte regional, o Norte apresenta uma média de 54,4% de inadimplentes, ficando atrás apenas do Sudeste (56,6%) e do Centro-Oeste (55,7%).
O contraste entre o Acre e os estados com maiores altas é gritante. Enquanto o Acre conseguiu segurar o avanço em 7,5%, o Espírito Santo viu o número de devedores disparar 66,1% no mesmo período.
De acordo com especialistas, o endividamento em massa que atinge a população brasileira é resultado de uma combinação crítica de fatores econômicos e estruturais. O cenário é impulsionado principalmente pela manutenção de juros elevados e pelo custo de vida pressionado pela inflação, o que reduz o poder de compra das famílias. Somam-se a isso o uso intensivo do cartão de crédito, muitas vezes utilizado como extensão da renda, e o perigoso recurso ao crédito rotativo, em um ambiente de expansão da oferta de crédito que não foi acompanhado pela necessária educação financeira dos consumidores.
Histórico da inadimplência (Brasil)
A trajetória nacional mostra um crescimento contínuo que não foi revertido por nenhum estado desde 2022:
Embora o Acre apresente uma resistência maior ao avanço das dívidas, o dado de que quase metade dos adultos acreanos possui restrições financeiras reforça o desafio estrutural para a retomada do consumo e da saúde econômica das famílias locais.