Prosa & Pesquisa debate o papel da mulher na construção jurídica da sociedade


A construção histórica da mulher dentro da sociedade e sua relação com o Direito foram os temas centrais de uma edição marcante do programa Prosa & Pesquisa. A entrevistada foi a professora e advogada Dra. Francine Roque, que apresentou reflexões profundas sobre a pesquisa “A construção da mulher como subproduto da socialização jurídica”.

Durante o programa, Francine explicou que sua pesquisa nasceu da inquietação sobre a ausência da figura feminina na construção histórica dos direitos sociais e políticos. Segundo ela, embora revoluções e movimentos históricos tenham defendido liberdade e igualdade, a mulher frequentemente foi deixada em segundo plano.

Graduada em Direito pela Universidade Federal de Rondônia, mestre em Filosofia e Política e atualmente professora universitária, Francine destacou que o conceito de “subproduto” utilizado em sua pesquisa causa desconforto justamente por simbolizar a posição secundária historicamente atribuída às mulheres dentro das estruturas jurídicas e sociais.

Ao longo da entrevista, a pesquisadora relembrou figuras históricas como Olympe de Gouges e Mary Wollstonecraft, mulheres que desafiaram os modelos sociais da época e reivindicaram espaço feminino na construção dos direitos humanos durante o período da Revolução Francesa.

Segundo Francine, muitos dos reflexos daquele período ainda permanecem presentes na atualidade, principalmente quando se observam desigualdades salariais, baixa representatividade feminina em espaços de poder e dificuldades de acesso das mulheres a posições de liderança.

A professora também trouxe para o debate conceitos do filósofo Michel Foucault, especialmente sobre biopoder, controle dos corpos e relações de poder dentro da sociedade contemporânea. De acordo com ela, o controle sobre o corpo feminino ainda ocorre de maneira sutil, envolvendo padrões estéticos, maternidade, comportamento e até escolhas pessoais.

Outro ponto importante discutido foi a independência financeira feminina. Francine destacou que muitas mulheres historicamente foram privadas de autonomia econômica, o que contribuiu para relações de dependência emocional e social. Ela ressaltou que educação financeira e acesso ao conhecimento são ferramentas fundamentais para ampliar a liberdade de escolha das mulheres.

Durante o bate-papo, também foram debatidos temas como violência psicológica, controle patrimonial, desigualdade política e os desafios enfrentados pelas mulheres para ocupar espaços de decisão. A entrevistada enfatizou que muitas barreiras ainda permanecem invisíveis dentro da sociedade, mesmo diante de avanços legais conquistados nas últimas décadas.

Para Francine Roque, a educação continua sendo o principal caminho para a transformação social e para a construção de uma sociedade mais igualitária. Segundo ela, estudar, investigar e questionar estruturas históricas são passos fundamentais para que as mulheres possam assumir o protagonismo de suas próprias histórias.

Em um dos momentos mais marcantes da entrevista, a professora destacou que igualdade não significa retirar escolhas das mulheres, mas garantir que elas tenham liberdade real para decidir seus caminhos, seja dentro da vida profissional, familiar, acadêmica ou política.

Ao final do programa, a entrevistada deixou uma reflexão inspirada na revolucionária francesa Olympe de Gouges: “Se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve ter igualmente o direito de subir à tribuna”. A frase simbolizou o encerramento de uma conversa marcada por análise histórica, reflexão crítica e defesa da autonomia feminina.

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