Menos é mais


Alguns anos atrás guardei uma frase para ler de vez em quando, principalmente nos momentos em que estivesse desacreditando a sociedade. Antes de mencioná-la, seu autor é Voltaire, um filósofo e escritor francês, que viveu exatamente no período do Iluminismo e era muito conhecido por ser crítico, sarcástico, combater o fanatismo e arranjar inimigos. Por outro lado, registros contam que Voltaire era grande defensor da justiça, da liberdade, enaltecia o otimismo e escrevia muito sobre aamizade. A frase que guardei é:

“Todas as riquezas do mundo não valem um bom amigo”.

Concordo e sempre achei que não se precisava de muitos. Anos atrás, um conhecido me disse que cada um de nós conhece entre80 a 100 mil pessoas ao longo da vida e me explicou que, de acordo com a Teoria de Dunbar, o círculo mais próximo de nossas relações sociais, formado por pessoas com quem temosmaior convivência, independentemente das relações parentais e familiares, talvez chegue a apenas 150 pessoas, e esse número vem desde as sociedades primitivas até os dias de hoje. Justificativa: mais do que isso nosso cérebro acha difícil de administrar e encontra dificuldade em manter a coesão. Ou seja, se aumentar a quantidade, os grupos começam a perder força e tendem a se desfazer. É fato que, no decorrer da vida, nos tornamos mais seletivos e, ainda que conheçamos muita gente,decidimos conviver com poucas – no meu caso, o mínimo possível, de preferência – e acredito na divisão apresentadaonde o círculo social é formado por camadas sucessivas: 5 pessoas indispensáveis, 15 bons amigos, 50 amigos, 500 conhecidos e 1.500 pessoas que podemos reconhecer. Atualmente, com a presença online, a teoria pode parecerfurada. Ainda assim, eu acredito que menos é mais e, quanto menor, melhor.

O tempo nos torna muito seletivos e, a experiência, mais observadores do que emocionados, valorizando a companhia de um bom amigo mais do que a presença de centenas de desconhecidos que compartilham decibéis de gritaria que nãonos deixam falar sorrindo. Condição comum entre meus amigosé que ninguém reúna em qualquer lugar onde não possamos nos sentar para conversar. Não sei se é coisa de jovens senhores de meia idade… Acho que é apenas o comportamento de quem aprende a viver e investir tempo com quem faz diferença na vida: e eles sempre serão os (poucos) amigos. De gente tranquila que soube – e ainda sabe – viver bem cada etapa da vida, sem fingir ser quem não é, e sem julgamentos por entender que tudo na vida são fases, assim como também são questões de escolha.

A essa altura, espero que você esteja fazendo conta dos amigos que lhe restaram após o terceiro parágrafo. Esqueça os que a irrelevância levou. Valorize o tempo quando estiver ao redordeles já que em mais ou menos tempo viraremos a última página, importando saber se o que escrevemos foram boas estórias ou rabiscos em uma cadernetinha velha e maltratada.Em gratidão aos meus amigos, cito outra frase de Voltaire, pois não tenho dúvidas de que muito do que sou hoje é o resultadode sua influência e, acima de tudo, sua importância:

“A gratidão é uma coisa maravilhosa: faz com que o que é excelente nos outros também nos pertença”.

 

**Igor Menezes Cordovil é Gestor de Marketing & Inteligência de Mercado do Grupo FAMETRO, Especialista em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), e MBA em Marketing, Consumo e Neurociência pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Contato: imenezes357@gmail.com





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