O ex-governador do Acre Gladson Camelí afirmou, nesta quarta-feira, 6, que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) após ser condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em processo que o torna inelegível por oito anos, conforme prevê a Lei da Ficha Limpa.
A manifestação foi divulgada por meio de nota oficial, após a conclusão do julgamento no STJ, que resultou na condenação de Camelí a 25 anos e 9 meses de prisão em regime fechado por crimes como corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e fraudes em licitações.
No posicionamento, o ex-governador declarou que recebeu a decisão “com serenidade e absoluto respeito” e informou que vai buscar reversão da condenação na instância superior.
“Compreendo o rito jurídico da Corte e é com base nesse respeito que, no exercício democrático do direito, recorrerei da decisão à instância superior — o Supremo Tribunal Federal —, prerrogativa que me é assegurada pela legislação brasileira em vigor”, afirmou.
Camelí também disse manter confiança no resultado final da Justiça e declarou que a decisão do STJ não altera sua disposição de continuar representando os acreanos.
“Ressalto que essa etapa no STJ não altera de forma alguma a minha confiança no resultado final da Justiça, apenas renova a minha disposição em representar os acreanos”, destacou.
Em outro trecho da nota, o ex-governador citou o cenário eleitoral e afirmou que “o eleitor do nosso estado merece ter sua escolha no voto respeitada”.
Julgamento
A condenação foi definida pela maioria dos ministros do STJ. Oito dos 11 integrantes da Corte acompanharam o voto da relatora Nancy Andrighi, que fixou pena de 25 anos e 9 meses de prisão, além de multa e indenização de R$ 11 milhões.
Outros três ministros também votaram pela condenação, mas divergiram apenas em relação ao tempo da pena, defendendo 16 anos de prisão.
O julgamento ocorreu após sucessivos adiamentos e recursos apresentados pela defesa, que tentou anular provas e suspender o andamento da ação penal. O STJ, porém, rejeitou os pedidos e manteve o entendimento de que havia elementos suficientes para sustentar a condenação.
Gladson Camelí deixou o governo do Acre durante o andamento do processo para disputar uma vaga ao Senado Federal nas eleições deste ano.