A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa na manhã desta quinta-feira (7), após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça por suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica grávida de 19 anos em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. A prisão ocorreu em Teresina, no Piauí. A informação foi confirmada pela defesa da investigada.
A informação também foi divulgada pelo governador Carlos Brandão por meio das redes sociais. Segundo ele, o policial militar citado nas denúncias também foi identificado e já teve mandado de prisão expedido.
“O policial militar citado nas denúncias foi identificado e o mandado de prisão já foi emitido. Ele também responde a procedimento instaurado pela Corregedoria da PMMA”, afirmou o governador.
O caso é investigado pela Polícia Civil do Maranhão após a vítima, identificada como Samara Regina, denunciar agressões sofridas depois de ser acusada de furtar joias da ex-patroa. A jovem registrou boletim de ocorrência na 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy.
Empresária detalha crime em áudios
Áudios atribuídos à empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos reforçam a investigação sobre a violência praticada contra uma empregada doméstica grávida de cinco meses em Paço do Lumiar, na Grande São Luís. Nas gravações, anexadas ao inquérito, a suspeita relata com detalhes a sequência de agressões contra a jovem de 19 anos, incluindo ameaças com arma de fogo, puxões de cabelo, tapas, murros e pisões nos dedos. Em um dos trechos, Carolina diz que a vítima “não era para ter saído viva”.
O caso ocorreu no dia 17 de abril e começou após o desaparecimento de um anel dentro da residência da empresária. Segundo a própria narrativa apresentada nos áudios, a funcionária foi acordada por volta das 7h30 para arrumar a cozinha antes da chegada de um homem que também participou das agressões. “Era eu e ele fazendo”, afirma Carolina ao descrever o espancamento.
“Minha preocupação era o meu filho”, diz doméstica agredida
A doméstica Samara Regina, de 19 anos, grávida de seis meses, viveu momentos de pânico ao ser agredida pela ex-patroa, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, após uma falsa acusação de furto de joia. O caso ocorreu na Grande São Luís. Durante o ataque, Samara relata que sua única reação foi tentar proteger o ventre: “Meu desespero era o que ia acontecer com o meu neném”, desabafou.
Samara aceitou o trabalho temporário de um mês para custear o enxoval do filho. Segundo a vítima, ela foi forçada a se ajoelhar enquanto um amigo da patroa a agredia com coronhadas, sob ameaças de que, se o anel não aparecesse, ela “perderia o filho”. A joia foi encontrada posteriormente no cesto de roupas sujas da própria agressora, que ainda acusou a jovem de ter forjado a situação.
Mesmo com a repercussão, o sentimento de Samara é de insegurança. A jovem afirma estar sofrendo ameaças constantes. “O que me dá certeza de que poderei sair na rua sem medo? Fico olhando para os lados, com medo de alguém chegar do nada”, questiona a doméstica.
PMs são afastados após favorecimento de empresária em agressão contra doméstica grávida
Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência de agressão envolvendo a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e uma doméstica grávida foram afastados de suas funções. A decisão, confirmada pela Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), ocorre após a divulgação de áudios em que a empresária relata ter sido poupada de uma prisão em flagrante por ser amiga de um dos agentes.
Nas gravações, Carolina descreve as agressões contra a vítima e afirma que não foi conduzida à delegacia graças à intervenção de um policial.
“Parou uma viatura aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? Aí ele disse que, se não fosse ele, teria que me levar para a delegacia, porque ela estava cheia de hematomas.”
Segundo o relato da própria empresária, o agente — cujo nome não foi revelado — admitiu que, devido à gravidade dos hematomas na vítima, o procedimento correto seria a condução imediata, o que acabou não ocorrendo.