A dor do outro no Instituto São José…


A dor do outro sempre chega antes dos nomes Raquel, Alzenir divulgados posteriormente pelo ac24horas …. Depois percebemos que alguma coisa em nós também dói. Estranho isso. Como se a tristeza atravessasse a pele invisivelmente e encontrasse abrigo dentro da gente. Talvez sejamos feitos da mesma matéria frágil das lágrimas.

Há sofrimentos que entram no ambiente antes da pessoa. Estão na maneira como ela segura as mãos, na pausa entre duas palavras, no cansaço escondido atrás de um sorriso quase mecânico. E então algo desperta dentro de nós, um eco antigo, animal, humano — como se o coração reconhecesse no coração do outro uma ferida parecida com a sua. Ferido, o Acre chorou e ainda chora por vocês… Raquel, Alzenir!

Dizem que o cérebro acende pequenas luzes diante da dor alheia, regiões silenciosas se iluminando como cidades vistas de longe durante a noite. Mas talvez não seja ciência. Talvez seja memória. Talvez toda dor seja coletiva desde o início do mundo. Um corpo sofre e outro corpo estremece sem saber por quê. Ninguém sofre sozinho completamente. Diz uma linda canção católica, cantada tantas vezes no Instituto São José: Onde morre o teu irmão/ eu estou morrendo nele…

A dor escorre pelas paredes das casas, atravessa mesas de jantar, contamina o ar das famílias, muda o tom das conversas, pesa nos corredores. Uma mãe chora e o universo inteiro perde um pouco de luz. Um homem silencia e alguma coisa nas árvores também parece mais triste. Existe uma comunicação secreta entre as tristezas do mundo. Choramos por vocês… Raquel, Alzenir. Os seus gestos sublimaram suas vidas diante dos homens e de Deus.

E, no entanto, quase sempre queremos medir a dor do outro com instrumentos pequenos demais. Dizemos: “isso passa”, “seja forte”, “há pessoas sofrendo mais”. Como se sofrimento obedecesse a uma escala. Como se o coração aceitasse matemática. Não aceita.

Cada pessoa habita um abismo particular. Há dores pequenas que matam lentamente. Há dores imensas que aprendem a florescer. Há pessoas sorrindo no exato instante em que desmoronam por dentro. Talvez compreender alguém seja apenas sentar-se ao lado da sua escuridão sem tentar apagá-la depressa. Permanecer. Escutar. Não fugir diante do desconforto. Porque o amor talvez seja isso: dividir silenciosamente o peso invisível da dor que sentem os familiares, colegas de trabalho, alunos e todos os que elas mais amaram…

Raquel, Alzenir… somos criaturas desesperadamente necessitadas de acolhimento. Desde o primeiro choro ao nascer até o último suspiro antes da morte. Entre um instante e outro seguimos pedindo abrigo uns aos outros sem coragem de admitir. Raquel, Alzenir descansem paz; “preciosa aos olhos do Criador foi o sacrifício e o gesto de vocês ao entregarem suas vidas para salvarem outras.

Respondeu-lhe Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”; é o lar eterno de vocês. Até um dia!



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