As doenças do aparelho circulatório seguem como a principal causa de morte no Acre e somaram 953 óbitos em 2025, o que representa uma média de quase três mortes por dia no estado. Os dados constam no 1º Boletim Epidemiológico de Doenças Crônicas Não Transmissíveis divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).
O levantamento confirma a permanência desse grupo de doenças no topo do ranking de mortalidade ao longo dos anos. Em 2015, já lideravam com 849 mortes e, uma década depois, continuam na primeira posição, com aumento no número absoluto de óbitos.
Dentro desse grupo, os registros incluem 452 mortes por infarto, 340 por Acidente Vascular Cerebral (AVC) e 161 por insuficiência cardíaca, evidenciando o peso das doenças cardiovasculares na saúde pública do estado.
O cenário local acompanha a tendência nacional. Em 2025, o Brasil registrou 156.981 mortes por doenças cardiovasculares, mantendo esse grupo como o principal responsável por óbitos no país.
Os dados também se inserem em um contexto mais amplo das doenças crônicas não transmissíveis, que concentram quase metade das mortes no Acre. Entre elas estão, além das doenças cardiovasculares, o câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes.
A hipertensão arterial aparece como um dos principais fatores de risco associados a esses casos. Considerada uma doença silenciosa, pode evoluir sem sintomas e causar danos progressivos ao organismo. “Ela pode causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo antes do surgimento de sintomas”, explica o médico intensivista Fábio Basílio.
Segundo o especialista, muitos pacientes só descobrem a condição após eventos graves, como infarto ou AVC, o que reduz as chances de recuperação.
Sinais de alerta e prevenção
A identificação precoce é considerada essencial para reduzir os casos mais graves. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial apontam que níveis acima de 120 por 80 mmHg já indicam aumento no risco cardiovascular.
Em casos de suspeita de AVC, o reconhecimento rápido pode fazer diferença. A Escala de Cincinnati orienta observar sinais como assimetria no sorriso, dificuldade para levantar os braços e alterações na fala.
Já no infarto, além da dor no peito, sintomas como náuseas, tontura e desconforto abdominal também podem indicar o problema.
Os números reforçam a necessidade de acompanhamento regular da saúde, controle da pressão arterial e adoção de hábitos como alimentação equilibrada, prática de atividade física e abandono do tabagismo.