Dia 2 de maio marca exatamente um mês do mandato de Mailza Assis Camelí. A referência exige reflexão. Não é pelo simbolismo que se lembra a data. Pelo tempo que ainda falta e pelos erros que não podem ser cometidos é que alguns apontamentos se fazem necessários. Em nome da boa administração pública e pela busca na excelência do debate político, este jornal se posiciona fazendo uma ponderação e um alerta.
Não foram poucas vezes em que Gladson Camelí conversou com Mailza sobre a real vontade de candidatura ao Governo do Acre. Exceção feita, talvez, em uma ou outra ocasião, a postura dela foi sempre de certeza. Ela precisava mostrar, inclusive para si, que a inédita condição de ser posta à prova poderia ser acompanhada de vitória. Gladson ouviu e respeitou.
O tempo e o Governo do Acre foram sendo tocados no ritmo de Gladson Camelí. Dança pra cá, Expoacre para acolá; denúncia mais adiante, inaugurações, operações; viagens, advogados. A rotina de Gladson no poder foi sendo executada.
Passados sete anos e quatro meses, alguma coisa é possível mostrar. Por mais inábil que seja uma administração, é um tempo razoável para construir meia dúzia de pontes, escolas, entregar o Hospital Geral de Feijó e programas de Governo. Assim foi feito. Até que chegou o momento que o governador precisou se desincompatibilizar, por questões legais/eleitorais.
A ponderação que se faz aqui é a seguinte: a partir do momento em que Mailza Assis Camelí disse ao espelho “Eu serei candidata”, ela precisava ter a medida exata dessa condição. E o que isso exige? Exige razoabilidade. E é o que os bastidores apontam que está faltando, senão à Mailza, a alguns palacianos.
Quando ela colocou a faixa de governadora no peito, em 2 de abril de 2026, sobraram-lhe 9 meses de trabalho como governante. É preciso notar, no entanto, que o parto gerado nesse período não foi gestado exclusivamente com as digitais dela. É preciso ter isso claro. Não é uma falha de Mailza. Não é declaração de ingerência. É a coisa como a coisa é e como a coisa será.
O que vai acontecer até dezembro, do ponto de vista administrativo, é consequência de falhas e acertos com nome e sobrenome: Gladson Camelí. A governadora Mailza não terá tempo para fazer “gestão”. Um exemplo pode ser apresentado na intensidade da agenda do Juruá e no Tarauacá/Envira. O que foi apresentado ali tem a sombra de Gladson Camelí em cada ato. Não poderia ser diferente.
Mailza tem todo o direito (e o tem exercido) de fazer mudanças na equipe. Isso não é problema (ou não deveria ser). Mas a administração de uma equipe de governo vai muito além de ter ou não ter José Bestene no time. Isso é uma filigrana. Um governo exige o manejo de um símbolo, coisa que nem Gladson construiu ao longo de 7 anos e quatro meses. E não será apenas em nove meses que isso será parido.
Tendo essa ponderação como premissa, aqui vai o alerta: Mailza Assis Camelí, se quiser ser vitoriosa no próximo outubro, precisa priorizar a Política. Caso tenha algum cortesão deslumbrado orientando o contrário, a pré-candidata precisa atentar e retirar o equivocado assessor de perto do ouvido da governante. A administração, eficaz ou não, já está em um ritmo, já segue uma lógica de forma automática. Isso é muito distinto do tempo e do manejo da Política, que exige um requebro diferente a cada dia.
Caso a pré-candidata queira, realmente, fazer valer o olhar alimentado por retórica coaching na frente do espelho “Eu posso conseguir! Eu serei candidata! Eu serei vencedora!”, a equipe da articulação política é que deve ser colocada em primeiro plano. A administração pública republicana, cumpridora de regras e leis, prazos, pagamentos já está definida. A Política não. Para Mailza Assis Camelí, a governante, só faltam oito meses. Para a (pré)-candidata, restam apenas seis. Eis o alerta.