Por MARCO ANTÔNIO P. COSTA, de Macapá (AP)
Gírias e termos específicos nas linguagens sempre foram características que marcaram tempo, lugar, condições sociais e outros elementos da vida dos jovens do mundo todo. Em tempo de redes sociais — em que as informações são instantâneas — e desaparecem com a mesma velocidade com que apareceram, muitos pais e pessoas mais velhas têm uma justificada dificuldade em acompanhar o que — e como! — as juventudes estão se expressando, falando. Farmar aura, por exemplo, é o termo mais atual de todos. Pesquisando, descobri que farmar vem do verbo em inglês to farm, que significa cultivar. Trocando em miúdos, os meus alunos da Escola Professor Gabriel de Almeida Café explicaram que farmar é cultivar boa reputação, popularidade, moral entre os demais estudantes; ou seja, quem “farmou aura” foi ou é admirado.
Na mesma esteira, a pessoa que farma muita aura é um alpha, enquanto quem é mais contido, menos popular, é um betinha (diminutivo de beta), no caso, as letras do alfabeto grego utilizadas para representar analiticamente algumas das gerações atuais.
Já “six seven”, no entanto, é mais um “meme”, desprovido, portanto, de um significado mais arredondado ou mesmo importante.
De tudo mesmo, confesso ter sempre um senso de alerta ligado. É através das linguagens que valores são cultivados e reproduzidos. Alerto-os sempre que o neoliberalismo, e sobretudo agora com o advento das redes sociais, nos leva a uma cultura de disputa e individualização: é você contra todos; você resolve seus problemas sozinho; você é o único responsável pelo seu futuro, e tantas outras variações dos discursos comuns de coaches de internet.
É o contrário de uma concepção fraterna e solidária de sociedade, que compreende que os desafios e problemas comuns devem e podem ser superados de forma coletiva, irmanada, em comum com o próximo, com o irmão, a irmã, a colega e o companheiro. Sistemas de pontuação e reputação não são novos e, ao menos no pequeno microcosmo pesquisado hoje, não percebemos maiores perigos; no entanto, é preciso ficar sempre “atentos e fortes”, pois os garotos e garotas “inventam novo inglês”, e estar conectado com os sentimentos dessa juventude, embora não seja tarefa fácil, é tarefa fundamental para melhor aprender, ensinar e educar.
* sociólogo, professor e fã de Engenheiros do Havaí