O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá, Júnior Macagnam, afirmou que o fim da chamada escala 6×1 trará custos a mais de 22% para as empresas locais, caso seja implementada.

A CDL vê com preocupação a sobrevivência das empresas e a garantia dos empregos. Nós sabemos que isso vai ter uma elevação de custo
Projetos de lei em debate na Câmara dos Deputados propõem a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, com limite de 8 horas diárias trabalhadas e folga semanal sábado e domingo válida para todos os brasileiros, caso seja aprovada.
“A CDL vê com preocupação a sobrevivência das empresas e a garantia dos empregos. Nós sabemos que isso vai ter uma elevação de custo nas pequenas empresas de Cuiabá em torno de 22%”, disse ele ao MidiaNews.
Segundo o dirigente, os empresários cuiabanos enxergam um populismo político no tema em ano eleitoral como o de 2026. “É uma pauta populista colocada no ano eleitoral e a gente sabe que a chance de passar isso é muito grande”, lamentou.
O impacto será significativo para toda a cadeia do setor de comércio e serviços da Capital, diz, onde as pequenas empresas representa 90% dos empregadores.
Ele afirmou que em todos os países onde foi aplicada a modernização no mundo do trabalho com a redução da jornada, houve um período de transição para a aplicação das mudanças.
“Os países que fizeram essa transição de 48 horas para 44 ou para 40 horas, como México, Chile, Espanha e Colômbia, todos eles fizeram um período de transição”, defendeu Júnior Macagnam.
“Em alguns países a transição foi 5 anos, em outros a transição foi 10 anos, e é muito importante que isso seja também discutido, porque até o momento nós não vimos nada de transição”, lamentou.
Redução de impostos
O custo operacional dos negócios é um dos grandes debates do setor empresarial de Mato Grosso e de todo o Brasil, diz o presidente da CDL.
Por isso, ele defende que a implementação do projeto de lei da redução de jornada de trabalho, conhecida como escala 6×1, deve ser acompanhada de compensações ou atenuantes para não aumentar o custo das empresas.
“Um colaborador com remuneração de R$ 2.000,00, por exemplo, ele recebe em média R$ 1.840,00 líquido no seu bolso. Só que para a empresa, dependendo do regime tributário, ele custa para a empresa de R$ 3.600 a R$ 4.100”, comparou o impacto dos impostos.
“Nós temos que discutir, vamos baixar esses encargos, vamos desonerar a folha de salário para que assim as pessoas possam ganhar mais”, sugeriu.
Ele afirma que o empresário e a empresa querem pagar mais, entretanto, muitas vezes o custo impossibilita. “Justamente porque a carga tributária é de tamanha monta que acaba não tendo condições de pagar mais”, exemplificou o presidente da CDL Cuiabá.
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