Enquanto o Brasil celebra uma redução significativa de 75% no número de casos de dengue em 2026, em comparação ao mesmo período de 2025, a realidade regional exige atenção redobrada das autoridades de saúde e da população acreana.
De acordo com o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, o Brasil já acumula 275 mil casos prováveis e 90 óbitos confirmados este ano, com outros 226 em investigação. No entanto, o “Mapa da Dengue” revela que o país vive realidades distintas: enquanto estados como Amazonas e Rondônia apresentam baixa incidência, o Acre aparece em vermelho, classificado na zona de alta incidência, com registros que variam entre 100 a 200 casos por 100 mil habitantes.
A situação do Acre, embora preocupante, ainda está distante do cenário de emergência vivido por Goiás e Tocantins. Estes dois estados registram mais de 800 casos por 100 mil habitantes, ou seja, quase três vezes acima do nível considerado epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 300 casos por 100 mil habitantes. Goiás lidera o ranking nacional com uma incidência de 861,7, seguido de perto por Tocantins com 808,4.
Jovens e mulheres são os mais afetados
Os dados detalhados pelo Ministério da Saúde revelam um perfil específico de quem mais adoece em 2026. A maior incidência está concentrada na população jovem, especificamente na faixa etária dos 20 aos 29 anos, que lidera com 60,6 mil casos. Em seguida, aparecem as pessoas entre 30 e 39 anos (44,4 mil casos).
O recorte por gênero mostra que as mulheres representam a maioria das notificações, com 54% dos casos, contra 46% do público masculino. Quanto à raça/cor, a maioria dos pacientes se identifica como parda (54,5%), seguida por branca (31,0%) e preta (5,1%).
Letalidade e prevenção
Um dado que acende o alerta para a importância do diagnóstico precoce é a letalidade em casos graves, que chega a 2,12%. Em casos prováveis, o índice cai drasticamente para 0,03%, o que reforça que a busca por atendimento médico aos primeiros sintomas é crucial para evitar complicações.
Para o Acre, o desafio permanece sendo a eliminação de criadouros domésticos, especialmente em um período onde a alternância de chuvas e calor favorece a reprodução do mosquito. A recomendação das autoridades locais continua a mesma: tampar caixas d’água, descartar lixo corretamente e fiscalizar quintais semanalmente.

