O traficante Marcinho VP, a esposa dele, Marcia Gama, e o filho do casal, o rapper Oruam, além de outras 9 pessoas, foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (1º). O grupo é acusado dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Uma investigação revelou que Marcinho VP, mesmo preso há mais de 20 anos, ainda exerce influência na facção Comando Vermelho e tem um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico com a esposa.
Segundo o MP, Marcia é a gestora financeira do grupo. Ela não receberia valores somente do marido, como também de outros chefes do CV, como Edgar Alves de Andrade, o Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; e Luciano Martiniano, vulgo Pezão.
Para ocultar o patrimônio, a esposa de Marcinho VP adquiriu e passou a administrar estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas.
A denúncia ainda aponta o rapper Oruam como “beneficiário direto” do esquema. Ele é acusado de receber dinheiro ilícito para promover a carreira musical e dissimular a origem do capital.
Ainda de acordo com as investigações, traficantes como Doca e Pezão teriam financiado despesas pessoais, viagens, festas e investimentos de Oruam.
A investigação identificou quatro núcleos da organização criminosa:
- liderança encarcerada (Marcinho VP), que exerce controle direto sobre a movimentação de recursos e decisões estratégicas;
- núcleo familiar (Marcia, Oruam e Lucas Nepomuceno), responsável por intermediar a execução das ordens e a gestão de ativos;
- núcleo de suporte operacional (Carlos Alexandre Martins da Silva, Luiz Paulo Silva de Souza, vulgo Magrão, e Jeferson Lima Assis), que presta suporte à lavagem de dinheiro e atua como “testa de ferro” para a dissimulação patrimonial;
- núcleo de liderança operacional (Doca, Abelha, Pezão, Eduardo Fernandes de Oliveira, vulgo 2D, e Ederson José Gonçalves Leite, o Sam), atuante nas comunidades na execução das práticas criminosas, entre elas o tráfico de drogas, sendo seus integrantes responsáveis por receber valores dessas atividades e repassar parte deles ao núcleo familiar.
Durante a semana, Oruam, a mãe e o irmão Lucas foram alvo de mandados de prisão em uma operação da Polícia Civil. Nenhum deles foi encontrado. A defesa de Marcia informou que ela estava em uma viagem e negou a relação dela com os crimes.
