O programa Boa Conversa desta sexta-feira, 1º de maio, teve como foco principal a análise do cenário político acreano. Os jornalistas Astério Moreira, Crica e Marcos Venicios comentam os bastidores e os desdobramentos mais recentes dentro da base governista, destacando sinais de desgaste e falta de alinhamento entre aliados.
Entre os principais temas abordados esteve o retorno do governador Gladson Cameli ao estado. Segundo os comentaristas, o chefe do Executivo tenta reorganizar seu grupo político ao admitir a necessidade de “ajustes”, especialmente diante das tensões envolvendo o senador Marcio Bittar e a vice-governadora Mailza Assis. Apesar disso, Gladson sinalizou que não há ruptura e que atuará para pacificar a base.
A indefinição de Bittar foi um dos pontos centrais do debate. “O Bittar é uma grande incógnita. Ele nunca deu um apoio firme à Mailza. Ele diz que a direita tem como candidatos a Mailza, Alan e Bocalom, mas até agora não se definiu. Continua sendo o grande mistério dessa história. Ele ainda diz que casamento tem divórcio”, afirmou Crica.
Astério Moreira reforçou a incerteza em torno do senador e apontou entraves na construção das chapas: “Eu não tenho ideia do que vai acontecer com o Bittar. A chapa do Alan está fechada. O Velloso quer uma brecha na chapa da Mailza, mas não tem vaga. Falta uma reunião, tem que ter uma reunião para ajeitar as coisas.”
As dificuldades de articulação dentro do governo também foram alvo de críticas. Marcos Venicios destacou um distanciamento entre aliados e a vice-governadora: “A gente percebe que há um comprometimento do pessoal da federação da União Brasil com o Fábio Rueda, mas não com a Mailza. O líder do governo, Manoel Moraes, não é nem da cozinha da governadora, e o único da base que é próximo é o Adailton Cruz, só que ele não coloca o rostinho na tribuna”, pontuou Marcos Venicios.
Crica apontou episódios recentes que evidenciam a desorganização interna: “O Calixto quer botar panos quentes, mas existe uma confusão na base. Quando a Antônia Sales fala que a saúde piorou, ou quando o Pablo diz que sofre assédio moral, fica claro que o problema é falta de articulação. Não tem com quem conversar.”
Ainda na área da saúde, o jornalista fez críticas à condução da pasta: “O Bestene fez uma bela gestão quando foi secretário, mas agora está perdido. A Sesacre foi loteada: um deputado tem uma parte, outro tem outra. O que eu acho estranho é que o Calixto não está empoderado, sendo que sempre defendeu a Mailza”, pontuou Crica.
Marcos Venicios também comentou a influência do secretário Jonathan Santiago na gestão da governadora Mailza Assis. “A governadora, quando assumiu, deu poderes ao Jonathan Santiago. E o que se percebe, nas conversas, é que desde que ele assumiu, muita coisa não anda. Ele acaba sendo colocado como bode expiatório. Em reuniões em Manaus, já houve questionamentos se ele continuaria na linha de frente, e a gente sabe que, na política, isso pesa”, pontuou.
Crica ponderou sobre o papel do secretário na gestão da governadora Mailza Assis. “O Santiago é um cara qualificado, mas não parece que essa função de articulação política esteja funcionando. Todo mundo critica ele. Será que todo mundo está errado? Eu não consigo assimilar isso”, reforçou.
Os jornalistas também repercutiram a fala de Gladson sobre a existência de um “plano A até o Z”, interpretada como uma tentativa de demonstrar controle político e afastar especulações sobre improviso para as eleições de 2026. Nos bastidores, porém, surgem divergências. Segundo Crica, há movimentações diferentes dentro do grupo: o governador defenderia o nome de Jéssica Sales como vice, mas outros não a querem.
“O Gladson chegou chegando, existem setores do governo que são evangelicos que são contra a Jéssica ser a vice com argumentos homofobicos, mas o Gladson chegou chegando dizer que a candidata a vice é a Jéssica”, pontuou Crica.
“O MDB quer argumento para que a Jéssica entre na vaga na chapa de federal seja a não ligação da Mailza para Jéssica, seja os comentários do evangelicos, ela vai disputar para a federal, por isso que o Aberson se filiou ao MDB, ele pode ser essa liga é outro nome que emerge nos bastidores que sonha é o Velloso, do Solidariedade”, pontuou Astério.
Astério Moreira destacou a necessidade de coerência entre aliados e resumiu o momento político: “O combinado não custa caro.” Ele também chamou atenção para o avanço da oposição, com a Frente Ampla, liderada pelo PT, articulando uma caravana pelo interior do Acre.
“O Jorge falou das derrotas, ele falou que foi no Dino, levou um material e ele disse que nao fez nada de anormal e disse que quem deve não teme [acerca da ação do Bittar no STF]”, pontuou Astério Moreira. e