CNA propõe R$ 623 bilhões para Plano Safra 2026/2027 e defende modelo plurianual


A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou ao governo federal, nesta terça-feira (28), um conjunto de propostas para o Plano Safra 2026/2027. O documento foca na ampliação de recursos e na reestruturação da política agrícola nacional, visando mitigar os impactos dos juros altos, riscos climáticos e a deterioração financeira do setor. A principal reivindicação é o aporte de R$ 623 bilhões em crédito rural, sendo R$ 104,9 bilhões destinados à agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões para a produção empresarial.

A entidade defende a transição do atual modelo anual para uma política plurianual. Segundo a CNA, o formato vigente gera incertezas orçamentárias e não coincide com o calendário do ciclo agrícola. A proposta busca integrar o Plano Safra ao Plano Plurianual (PPA) e às leis orçamentárias, garantindo previsibilidade de recursos para seguro rural e equalização de juros, além de permitir um planejamento de médio prazo para produtores e instituições financeiras.

O cenário de pressão econômica embasa as solicitações. De acordo com o levantamento da confederação, a inadimplência no crédito rural com taxas de mercado saltou de 4,73% em fevereiro de 2025 para 13,84% em fevereiro de 2026.

Fatores como a taxa básica de juros acima de 13% ao ano, a volatilidade dos preços das commodities e o aumento dos custos de energia e insumos têm comprometido a saúde financeira do produtor, apesar de o setor ter crescido 11,7% em 2025.

No âmbito do seguro rural, a CNA solicita R$ 4 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e a modernização da legislação do setor. A avaliação é que a baixa cobertura atual eleva o risco sistêmico diante de eventos climáticos extremos.

Para o crédito de custeio, a entidade sugere taxas de juros diferenciadas: até 4% ao ano para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12,5% para os demais produtores, além de medidas para combater a burocracia e a venda casada.

As propostas incluem ainda prioridade para investimentos em sustentabilidade, armazenagem e irrigação. A CNA destaca a necessidade de fortalecer fundos garantidores e o financiamento via mercado de capitais para enfrentar gargalos estruturais.

O documento reforça que a estabilidade do setor é fundamental para a economia brasileira, uma vez que o agronegócio foi responsável por um terço da expansão do PIB no último ano.



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