Uma carreta carregada com peças de ônibus, supostamente pertencente à Ricco Transportes, foi interceptada pela Polícia Militar na noite desta terça-feira (28), em Rio Branco, ao tentar deixar o estado. O caso foi encaminhado à Delegacia de Flagrantes e levanta suspeitas de descumprimento de uma decisão recente da Justiça do Trabalho.
De acordo com informações repassadas ao ac24horas, o veículo foi inicialmente identificado por integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (SINTTPAC), que acionaram a PM após suspeitarem da movimentação. A abordagem ocorreu nas proximidades do Sest/Senat, na Rodovia AC-40, quando a carreta seguia em direção à saída do estado por uma rota alternativa.
A ação ocorre no mesmo dia em que a Justiça do Trabalho determinou medidas cautelares contra a empresa, incluindo a proibição de retirada do estado de veículos utilizados na operação e a restrição de transferência desses bens, justamente para evitar prejuízos ao pagamento de débitos trabalhistas.
Ao ac24horas, o advogado do sindicato, Renato Tavares, confirmou que a carreta transportava componentes de alto valor. “Eles estavam tirando uma carreta prancha, lotada de peças, motor, caixa de marcha, essas peças de ônibus que valem dinheiro”, afirmou. Segundo ele, outro veículo menor teria conseguido sair antes da abordagem.
O advogado também destacou a abrangência da decisão judicial. “A ordem de bloqueio foi para todos os bens móveis da empresa, para todos os veículos, tudo que eles usam para fazer a atividade deles, desde um carro pequeno até os ônibus que rodam na cidade”, explicou.
Ainda de acordo com Tavares, a tentativa de retirada do veículo pode configurar violação direta da decisão judicial, uma vez que a medida tem como objetivo preservar o patrimônio da empresa para garantir o pagamento de trabalhadores. “Eles estavam saindo do estado pelas ‘quatro bocas’, pelo Quinari, para não passar pela PRF”, relatou, acrescentando que a informação teria sido confirmada por um funcionário diante da polícia.
A ocorrência será analisada pela autoridade policial, que deve decidir se o veículo será apreendido, encaminhado a um pátio ou devolvido à empresa.
O episódio se soma à série de acontecimentos recentes que evidenciam a crise no transporte coletivo da capital acreana. Nos últimos dias, Rio Branco enfrentou paralisação total dos ônibus devido a atrasos salariais, situação que só foi resolvida após repasse emergencial da prefeitura à empresa.
Além disso, a própria decisão judicial que motivou a abordagem aponta indícios de irregularidades na frota, incluindo veículos não registrados em sistemas oficiais e risco de dilapidação patrimonial. Para a Justiça, os atrasos salariais recorrentes já vinham gerando “graves transtornos aos trabalhadores” e poderiam comprometer a continuidade do serviço.
O caso agora deve ter desdobramentos tanto na esfera policial quanto judicial, ampliando ainda mais a pressão sobre a empresa e sobre o sistema de transporte coletivo de Rio Branco, que segue sob forte instabilidade.