Dívida Pública Federal recua 2,34% em março com resgate de títulos



A Dívida Pública Federal (DPF) registrou uma queda de 2,34% no mês de março, fechando o período em R$ 8,633 trilhões, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Tesouro Nacional. O recuo, em relação aos R$ 8,841 trilhões registrados em fevereiro, foi motivado principalmente pelo forte vencimento de títulos vinculados à Taxa Selic. No mês passado, o volume de resgates superou as novas emissões em R$ 302,32 bilhões, configurando um resgate líquido que impactou o estoque total.

Apesar da redução pontual, o endividamento do governo continua sob pressão devido à apropriação de juros, que somou R$ 93,01 bilhões em março. Com a Selic em 14,75% ao ano, o custo para carregar a dívida permanece elevado. Para 2026, o Plano Anual de Financiamento (PAF) prevê que a DPF encerre o ano em um patamar entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões, indicando uma tendência de crescimento para os próximos meses.

Enquanto a dívida interna recuou, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou uma alta de 0,61%, alcançando R$ 331,64 bilhões. Esse aumento foi influenciado pela valorização de 1,36% do dólar em março, impulsionada pelo início do conflito armado no Oriente Médio, que gerou instabilidade nos mercados globais. Além do câmbio, o país contraiu um empréstimo de R$ 6,88 bilhões junto a organismos internacionais para reforçar o orçamento.

O Tesouro Nacional também precisou atuar para estabilizar o mercado financeiro nos primeiros dias da guerra. Foram recomprados R$ 49 bilhões em títulos da dívida pública para evitar uma volatilidade excessiva. Essas operações, somadas aos resgates líquidos, fizeram com que o “colchão da dívida” a reserva financeira do governo caísse de R$ 1,192 trilhão para R$ 885 bilhões. Atualmente, esse montante é suficiente para cobrir 5,69 meses de vencimentos futuros.

A estrutura da dívida sofreu alterações significativas devido aos vencimentos de março. Os títulos atrelados à Selic, que representavam 49,1% do total, caíram para 47,71%. Por outro lado, a participação de títulos corrigidos pela inflação subiu para 26,67% e os papéis prefixados avançaram para 21,80%. Títulos prefixados são considerados mais vantajosos para o planejamento do governo por oferecerem taxas fixas, mas investidores costumam exigir juros mais altos em períodos de incerteza global.

Quanto aos detentores da dívida interna, as instituições financeiras lideram com 31,47% do estoque, seguidas pelos fundos de pensão (23%) e fundos de investimento (20,86%). A participação de investidores estrangeiros manteve-se estável em 10,7%, sinalizando que, apesar da tensão geopolítica, a confiança na capacidade de pagamento do Brasil não foi abalada. O prazo médio de renovação da dívida subiu levemente para 4,1 anos, refletindo um perfil de endividamento de médio prazo.

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