Reino Unido aprova lei inédita que proíbe venda de tabaco para geração nascida a partir de 2009



O Parlamento do Reino Unido aprovou uma nova e histórica legislação que proíbe a compra de produtos de tabaco por pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009. A medida, considerada pioneira no mundo, estabelece uma restrição permanente: mesmo após atingir a maioridade, essa geração não poderá comprar legalmente cigarros no país.

A chamada Lei do Tabaco e dos Cigarros Eletrônicos marca uma mudança estrutural na política de saúde pública britânica e faz do Reino Unido o segundo país a adotar uma estratégia de proibição intergeracional da venda de tabaco.

Controle mais rígido sobre cigarros eletrônicos

Além da restrição ao tabaco tradicional, a legislação amplia o controle sobre os cigarros eletrônicos. O governo passa a ter novos poderes para limitar sabores, embalagens e publicidade desses produtos, além de proibir o uso em locais já vetados ao fumo, como áreas próximas a escolas e parques infantis.

Produtos de vape são frequentemente criticados por atrair o público jovem, sobretudo por conta de sabores variados e embalagens coloridas. Em 2023, o país já havia avançado com a proibição de cigarros eletrônicos descartáveis, considerados baratos e de fácil acesso.

Por que a medida foi adotada?

Segundo dados do Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS), o Reino Unido registra cerca de 5,3 milhões de fumantes adultos, o equivalente a quase 10% da população. Apesar da queda no número de fumantes nos últimos anos, o tabagismo ainda é a principal causa de mortes evitáveis no país, responsável por aproximadamente 80 mil óbitos anuais.

Pesquisas também indicam que a faixa etária com maior prevalência de fumantes está entre 25 e 34 anos, o que reforçou a necessidade de políticas mais restritivas voltadas à prevenção.

Uma sondagem da YouGov mostrou que mais de dois terços da população britânica apoia a proibição intergeracional da venda de tabaco, sinalizando forte aceitação social da medida.

Debate sobre impacto e futuro da política

Para organizações de saúde, a nova lei representa uma mudança simbólica e estrutural na forma como o país enfrenta o tabagismo. A diretora executiva da Action on Smoking and Health, Hazel Cheeseman, afirmou que a medida “marca uma mudança de mentalidade” ao sinalizar a eliminação gradual do acesso legal ao tabaco para futuras gerações.

Embora especialistas reconheçam que a proibição não deve extinguir completamente o consumo, a expectativa é de uma redução significativa ao longo do tempo.

A decisão britânica já reacende debates internacionais sobre até que ponto governos podem avançar em políticas de restrição ao tabaco — e se medidas semelhantes poderiam ser adotadas por outros países, como o Brasil, no futuro.



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