Especialista destaca riscos das doenças vasculares e avanço da cirurgia endovascular no Acre


O médico e apresentador Fabrício Lemos recebeu, nesta segunda-feira (27), no programa Médico 24 Horas exibido na capa do ac24horas.com e nas redes sociais, a cirurgiã vascular e especialista em técnicas endovasculares Devac Brito. Em uma conversa direta e didática, a profissional fez uma série de alertas sobre doenças vasculares, com ênfase nos riscos do tabagismo, nas amputações e nos avanços da medicina no Acre.

Foto: Iago Nascimento/ac24horas

Ao abordar as causas das doenças arteriais, Devac foi categórica ao apontar o cigarro como principal vilão. “O cigarro é o grande vilão associado à aterosclerose. Ele acelera setecentas vezes mais o entupimento de uma artéria”, disse. Segundo ela, esse processo leva à chamada claudicação, dor ao caminhar, um dos principais sinais de alerta. “O paciente anda poucos metros e já sente dor, queimação. É o cérebro avisando que não está chegando sangue suficiente naquele local”, explicou.

Devac também diferenciou os sintomas entre problemas arteriais e venosos. “Na arterial, a perna fica fria, perde os pelos, os dedos podem ficar roxos. Já na venosa, a perna incha, escurece e pode evoluir para úlcera”, detalhou. Sobre as varizes, alertou que o problema não é apenas estético: “Não existe remédio que elimine varizes. Existe tratamento para os sintomas. Se tiver indicação cirúrgica e não operar, vai voltar tudo”.

A médica explicou ainda o funcionamento das veias e o surgimento das varizes. “Quando a válvula da veia não funciona, o sangue sobe e volta. Esse refluxo causa dilatação e forma as varizes”, disse. Em relação à retirada da safena, tranquilizou pacientes. “Se ela não está funcionando, precisa ser retirada. E ela não é ligada diretamente ao coração, como muita gente pensa”, explicou.

Foto: Iago Nascimento/ac24horas

Outro ponto de destaque foi a importância do diagnóstico precoce. Devac citou o índice tornozelo-braquial como ferramenta acessível: “Se der abaixo de 0,9, já é sinal de obstrução importante. Esse paciente precisa ser encaminhado, porque tem risco de perder o membro”.

Ao falar sobre aneurismas, a especialista explicou de forma simples: “É quando a artéria dilata além do normal, como se fosse uma bolha”. Ela ressaltou os avanços da medicina: “Hoje a gente já trata muitos casos com endoprótese, sem cirurgia aberta. A endovascular veio para mudar a história”.

Apesar dos avanços, Devac criticou a burocracia no sistema de saúde. “Tem paciente que fica cinco meses internado esperando material. Isso não é razoável”, afirmou. Segundo ela, muitos poderiam aguardar em casa com acompanhamento, sem ocupar leitos hospitalares.

Na parte final da entrevista, a especialista abordou fatores de risco para doenças vasculares. “Genética, hormônios, sedentarismo, obesidade, idade e tipo de trabalho influenciam muito”, explicou. Sobre hábitos, fez um alerta direto: “Sedentarismo não ajuda em absolutamente nada”.



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