Castanheiro perdido por 22 dias relata ataque de onça e que já estava sem esperança – SelesNafes.com


Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Sob fogos de artifício e muita emoção, o castanheiro Jhemenson Rodrigues Gonçalves, de 32 anos, foi recebido com abraços por familiares e moradores na tarde desta segunda-feira (27), em Laranjal do Jari, no sul do Amapá. O reencontro marcou o fim de 22 dias de angústia após o desaparecimento do trabalhador na Floresta Estadual do Paru, na divisa com o Pará. Visivelmente abalado, Jhemenson falou rapidamente com jornalistas locais antes de ser encaminhado para atendimento médico.

“Não tem explicação. Pensava que nunca mais ia ver minha família. Por onde eu andava, já estava sem esperança de vida”, relatou.

Ele contou ainda que encontrou forças ao pensar nos pais durante o período em que esteve perdido.

“Passei 22 dias molhado, fui atacado por onça e ela não me comeu porque Deus estava me livrando. Eu não tinha como me defender, só queria chegar aqui e ver minha família todinha. Deus realizou meu sonho”, disse.

O trabalhador desapareceu no dia 4 de abril, após entrar na floresta para a coleta de castanha, uma das principais atividades econômicas da região. Ele foi encontrado no domingo (26), por volta das 14h, após mobilização de moradores, familiares e voluntários, que continuaram as buscas mesmo depois da suspensão oficial pelas forças de segurança, ocorrida no dia 21, após 19 dias de operação com aeronaves e equipes em terra.

Jhemerson foi encontrado por primos e voluntários que continuaram as buscas após o encerramento oficial das operações de salvamento

Durante as buscas, equipes enfrentaram dificuldades como a vasta extensão da floresta, a vegetação densa e o acesso limitado à área. Inicialmente concentradas nas proximidades do desaparecimento, as buscas foram ampliadas para um raio de até quatro quilômetros e, posteriormente, direcionadas a outra área após suspeitas de que o trabalhador teria atravessado um rio.

A região é de difícil acesso, com mata fechada e capins cortantes, além de altas temperaturas que aumentam o desgaste físico. Em muitos trechos, o deslocamento só é possível por meio de “batelões”, embarcações utilizadas no transporte de castanha. Mesmo com estratégias de comunicação por sinais sonoros, como disparos e gritos, o trabalhador não havia sido localizado até então.

Apesar de outros registros de castanheiros desaparecidos na região, nenhum caso havia se estendido por tanto tempo. O estado de saúde de Jhemenson ainda não foi detalhado, mas equipes de assistência devem prestar atendimento emergencial no município.





VER NA FONTE