
Assistir a vários episódios de uma série em sequência — prática conhecida como “maratonar” — tornou-se um dos hábitos mais comuns na era do streaming. Popularizado por plataformas como Netflix e Prime Video, o comportamento vai além do entretenimento e tem explicações ligadas à psicologia e ao funcionamento do cérebro.
Especialistas apontam que a maratona de séries está diretamente relacionada ao chamado sistema de recompensa. Cada episódio assistido ativa a liberação de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e à motivação. Esse mecanismo cria uma sensação de satisfação que incentiva o espectador a continuar assistindo, muitas vezes sem perceber o tempo passar.
Outro fator importante é a construção narrativa das séries. Episódios frequentemente terminam em momentos de tensão — os chamados “ganchos” ou cliffhangers — que despertam curiosidade e tornam difícil interromper a sequência. Esse recurso mantém o público engajado e emocionalmente envolvido com a história e os personagens.
Hábito, escapismo e rotina
Além dos estímulos químicos e narrativos, maratonar séries também está ligado ao comportamento social e emocional. Para muitos, trata-se de uma forma de escapismo — uma maneira de aliviar o stress e se desconectar das preocupações do dia a dia. Em períodos de maior ansiedade ou cansaço, o consumo contínuo de conteúdos pode funcionar como conforto emocional.
A praticidade das plataformas digitais também contribui para o hábito. Com episódios disponíveis de forma imediata e reprodução automática, o espectador não precisa tomar decisões ativas para continuar assistindo, o que facilita o prolongamento da atividade.
Por outro lado, especialistas alertam que o consumo excessivo pode impactar negativamente a rotina, especialmente quando interfere no sono, na produtividade ou nas interações sociais.
Apesar disso, quando feito com moderação, maratonar séries pode ser uma forma legítima de lazer. O fenômeno reflete não apenas mudanças tecnológicas, mas também novas formas de consumo cultural e comportamento na sociedade contemporânea.