
O refrigerante zero costuma ser visto como uma alternativa mais leve para quem quer reduzir o consumo de açúcar, mas nem sempre ele é tão inofensivo quanto parece. Muitas pessoas relatam sensação de estufamento, aumento de gases e desconforto abdominal após o consumo dessas bebidas. A explicação não está apenas no gás presente no refrigerante, mas principalmente no tipo de adoçante utilizado na fórmula.
Todo refrigerante contém gás carbônico, que por si só já pode provocar distensão abdominal e favorecer a formação de gases. No entanto, nas versões zero, o açúcar é substituído por adoçantes artificiais como aspartame, sucralose, acessulfame-K e, em alguns casos, polióis como o sorbitol.
Essas substâncias são processadas de maneira diferente pelo organismo e podem impactar o funcionamento intestinal, especialmente em pessoas mais sensíveis. Estudos na área de nutrição e saúde intestinal indicam que alguns desses adoçantes não são totalmente absorvidos no intestino delgado.
Quando isso acontece, eles chegam ao intestino grosso, onde passam por fermentação pelas bactérias da microbiota. Esse processo pode aumentar a produção de gases e causar sintomas como inchaço, cólicas e até alterações no ritmo intestinal. Pesquisas também sugerem que compostos como sucralose e aspartame podem influenciar a composição da microbiota intestinal ao longo do tempo, reduzindo bactérias consideradas benéficas e favorecendo processos inflamatórios leves.
Entre os diferentes tipos de adoçantes, o comportamento no organismo pode variar bastante. O sorbitol, por exemplo, é um poliol conhecido por não ser completamente absorvido. Ao chegar ao intestino grosso, ele fermenta com facilidade, o que pode gerar gases em maior quantidade e até episódios de diarreia. Além disso, possui efeito osmótico, atraindo água para o intestino e podendo causar fezes mais líquidas ou urgência para evacuar. Por esse motivo, pessoas com síndrome do intestino irritável tendem a apresentar maior sensibilidade a esse tipo de substância.
Já o aspartame tem um comportamento diferente. Ele é quase totalmente absorvido ainda no intestino delgado e quebrado em componentes menores, como aminoácidos. Por isso, dificilmente chega ao intestino grosso em quantidade suficiente para fermentar, o que reduz a chance de causar gases ou desconforto imediato. Ainda assim, estudos apontam que o consumo frequente pode ter efeitos mais sutis a longo prazo, principalmente relacionados ao equilíbrio da microbiota intestinal.
Essa diferença ajuda a explicar por que algumas pessoas toleram melhor determinados refrigerantes zero do que outros. Mais do que a ausência de açúcar, o que realmente importa é o tipo de adoçante presente na composição. Ler o rótulo e identificar esses ingredientes pode fazer diferença, especialmente para quem já apresenta sensibilidade digestiva.