No dia 26 de abril de 1986, uma explosão no reator 4 da usina nuclear de Usina Nuclear de Chernobyl, então parte da União Soviética, deu início ao pior acidente nuclear da história. Quatro décadas depois, o Desastre de Chernobyl segue como símbolo global dos riscos da energia nuclear e das consequências de decisões técnicas e políticas mal conduzidas.
O acidente ocorreu durante um teste de segurança que saiu do controle. Uma combinação de falhas humanas e problemas no projeto do reator provocou uma explosão que lançou material radioativo na atmosfera, contaminando vastas áreas a Europa. A cidade de Pripyat, construída para abrigar trabalhadores da usina, foi evacuada apenas 36 horas depois da explosão e permanece desabitada até hoje.
Nos dias seguintes ao acidente, o governo soviético demorou a admitir a gravidade do ocorrido. A falta de transparência aumentou a exposição da população à radiação e gerou desconfiança internacional. A dimensão do desastre só veio a público após países europeus detectarem níveis anormais de radiação.

Chernobyl: como está a usina após 40 anos? Foto: Tetiana Dzhafarova/Getty Images.
Os impactos humanos foram imediatos e persistentes. Ao todo, 31 pessoas morreram nos dias que se seguiram ao acidente, duas no momento da explosão e outras 29 em decorrência da síndrome aguda da radiação. Com o passar dos anos, milhares de casos de câncer, principalmente de tireoide, passaram a ser registrados, sobretudo entre crianças que foram expostas.
CHERNOBYL APÓS 40 ANOS
Após 40 anos da explosão do reator nuclear, Chernobyl ainda é uma área marcada pela radiação, mas com mudanças significativas ao longo do tempo. Em grande parte da zona de exclusão, os níveis de radiação diminuíram consideravelmente devido à decaída natural, permitindo até visitas controladas em regiões consideradas de menor risco.
Em locais como Pripyat, a exposição pode ser comparável à de exames médicos simples, embora o acesso siga restrito e monitorado.
Apesar dessa redução, áreas próximas ao antigo reator continuam altamente perigosas e com acesso proibido. O local está protegido pelo Novo Confinamento Seguro, uma estrutura de aço construída para conter materiais radioativos. Ainda assim, episódios recentes, como danos causados por conflitos e a necessidade de manutenção da estrutura, mostram que o risco permanece e exige vigilância constante.

Pripyat, a cidade “fantasma”. Foto: Dimitar Dilkoff/AFP/Getty Images.
Algumas regiões, como a chamada Floresta Vermelha, seguem totalmente interditadas devido à alta contaminação do solo. Em contrapartida, a ausência de presença humana transformou a área em um grande refúgio natural.
Hoje, cerca de 3 mil pessoas ainda trabalham na região, muitas em regime de revezamento para reduzir a exposição à radiação. Visitantes também podem acessar partes da zona de exclusão, passando por rigorosos controles, como detectores de radiação na entrada e saída.